Saudações cordiais, camaradas.
Mais uma vez, Lucas, agradeceria se você pudesse enriquecer a campanha com informações adicionais.
Por volta da meia-noite, quando o trio caminhava em direção a Vialya, a cidade dos elfos, conduzindo Klaus para ser julgado por sua conspiração, Miroundel lembrou a Zabu e Chaldmyr (cuja raça permanecia desconhecida) que humanos não eram bem vindos na cidade. Querendo evitar confusão desnecessária, Zabu se despediu de seus companheiros e disse que retornaria para Ravina dos Trovões para reportar ao prefeito seus feitos e aguardaria por eles por até dois dias, quando então continuaria a busca por sua irmã. Nas proximidades da caverna dos goblins anteriormente ignorada por eles, Zabu resolveu investigar se Anya estaria naquele local ou talvez passado recentemente por lá. Na entrada parcamente iluminada pela luz de sua tocha, sem ouvir nada vindo do interior, Zabu berrou a plenos pulmões: “ANYAAA!!!” que ecoou por vários segundos.
Depois de alguns momentos ouvindo ao longe uma mistura de sons de passos e vozes baixas, obteve como resposta um “Foi embora”, falado por um goblin oculto nas trevas. Esperançoso, Zabu insistiu dizendo que não queria confusão, só desejava saber em que direção ela havia ido. Como não mais recebeu respostas, decidiu pegar seu cavalo e retornar à Ravina dos Trovões. Prestes a partir surgiram dois goblins na entrada da caverna, um deles armado com uma azagaia pronta para ser arremessada. Zabu arriscou mais uma vez perguntar por sua irmã, reforçando que não queria confusão. E ainda que estivesse com o escudo erguido, completamente na defensiva, o goblin conseguiu acertar a azagaia em cheio no seu ombro. Percebendo que não teria qualquer colaboração saiu em disparada pela trilha, ouvindo o escárnio dos goblins em relação a sua covardia diante da Tribo da Flecha Quebrada. Arquibaldo, é claro, o acompanhou.
Por aquela trilha em aproximadamente meia hora Zabu chegaria à cidade. Mas “no meio do caminho tinha uma pedra”, ops!, uma doninha, que resolveu simplesmente cruzar a trilha de um lado a outro despreocupada. O guerreiro também seguia tranquilo, até que uma grande coruja gigante surgiu vinda do céu em sua direção! Ele se encolheu junto ao cavalo e então percebeu que a grande ave estava tentando capturar a doninha, que muito esperta correu para baixo do cavalo na esperança de se proteger da predadora. Começou um balé: o carpinteiro e seu cavalo “sapateando” na tentativa de sair de cima da doninha, que cada vez melhor se refugiava sob o quadrúpede, enquanto a coruja parecia reavaliar se o cavalo não seria melhor refeição! Zabu desceu do cavalo e atacou a ave, que inicialmente pareceu ficar intimidada com o ferimento que sofreu. O cavalo partiu em disparada para longe, Arquibaldo tinha sumido da vista e a coruja parecia ter esquecido completamente de seu alvo original. Zabu não estava com sorte, e recebeu severos ferimentos. Então decidiu se embrenhar numa mata cerrada que margeava a trilha, conseguindo impedir que a coruja gigante continuasse seus ataques. Descansou e usou algumas das bandagens de seu kit de primeiros socorros e ficou contente de rever seu velho amigo canino, que havia se refugiado na mata durante o combate.
Avançando por dentro da mata acompanhando visualmente a trilha em direção a Ravina dos Trovões, Zabu chegou a um rio de forte correnteza e pelo menos uns quinze metros de distância até a margem oposta. Como a trilha terminava ali, estudou os rastros de seu cavalo para saber que direção ele tomara. Notou que ele seguira para uma ponte de madeira próxima. Lá chegando viu seu cavalo partir em disparada novamente. Mas havia motivo: a mesma coruja gigante voltou a atacar! Desta vez não havia uma mata próxima o suficiente para Zabu se abrigar, então mesmo carregando muito peso e sem saber nadar ele mergulhou no rio, segurando-se à ponte de madeira e afundando na água a cabeça sempre que percebia a coruja atacando. Mas pelo visto a ave gostou muito do sabor do sangue dele, insistiu tanto que acabou içando-o com suas garras poderosas para se banquetear.
Eis que o corajoso e velho vira-lata Arquibaldo, numa demonstração única de verdadeira amizade, fez um último esforço tentando atacar a coruja, mas “calculou” mal o salto e acabou caindo no frio e caudaloso rio.
Vendo a agonia de seu querido amigo ao ser arrastado para longe e lembrando-se de sua principal motivação para ter chegado até aqui, Zabu começou a se debater e ferir as patas da predadora com sua adaga. Farta de tantas injúrias, a ave largou sua presa de uma altura de mais de 20 metros . Em pânico, Zabu instintivamente conseguiu alinhar seu corpo de forma a sofrer o mínimo de dano quando atingiu as águas frias do rio. Afundando rapidamente, ele se livrou de tudo que carregava para lutar por sua vida. Cada segundo que passava era um teste de resistência ao frio e ao forte impacto contra as rochas no percurso. A morte por exaustão estava a um fio de navalha de seu pescoço. Então, por vontade dos deuses ou simplesmente pelo mais absoluto lance de sorte, no último resquício de fôlego que possuía Zabu alcançou a margem do rio. E desmaiou.
Sol a pino do dia seguinte, ainda deitado à margem do rio, um halfling buchudo o acorda. Incrédulo mas extremamente feliz por estar vivo, Zabu dança com o pequeno e grita agradecendo aos deuses por ter sobrevivido. Jay, o halfling que Zabu descobriu posteriormente ser um comerciante de ervas, questiona o que aconteceu e como chegou até ali. Ainda que desconfiado com a história contada pelo guerreiro, Jay oferece estadia em sua casa para que ele restabeleça suas forças. No caminho até o local Jay contou que Arquibaldo estava a salvo e sugeriu que nunca mais ele se aventurasse por aquela região a noite, por ser muito perigoso.
O rico e bem sucedido comerciante morava numa “toca” encravada na montanha e construída com maestria, possuindo vários cômodos. Ao descobrir que Zabu era um carpinteiro revelou já ter sido um grande artesão em madeira na juventude. Desejoso de agradecer por todo o apoio que estava recebendo, Zabu ofereceu-se para esculpir uma imagem do comerciante. Jay pediu aos empregados que providenciassem toras de madeira para que ele trabalhasse. Concluiu o trabalho naquela mesma tarde admitindo, porém, estar insatisfeito com o resultado, pois a escultura ainda não exaltava a essência de seu mais novo amigo. Sentindo-se desafiado por seu próprio fracasso, o carpinteiro disse que trabalharia sem descanso do final da noite até o raiar do dia seguinte se necessário, mas esculpiria uma verdadeira obra-prima, cuja essência e personalidade do halfling pudessem ser percebidas até pelo mais tolo dos kobolds. Porém o ferimento ainda aberto no ombro e a preocupação com a irmã afetaram sua habilidade, e foram necessárias três tentativas para que alcançasse a qualidade que buscava. Com os olhos vidrados e o corpo exausto, desmaiou ao ver os primeiros raios de sol.
Uma serviçal de Jay o conduziu até um aposento dimensionado para o tamanho humano onde pode descansar até o final da tarde. Quando reencontrou seu anfitrião teve a alegria de ver que seu amigo havia apreciado seu trabalho e combinaram que isso ainda não seria suficiente para recompensar o halfling pela ajuda. Quando precisasse de qualquer coisa bastaria Jay procurá-lo em Rock Seed. Na manhã seguinte Zabu retornou a Ravina dos Trovões, presenteado com um equipamento básico para aventuras e um kit de carpintaria encantado, que ele supôs ter sido usado pelo halfling em sua juventude.
En Taro Adun!