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sábado, 28 de agosto de 2010

A Revolução de Doc Black

Saudações cordiais, camaradas.

Na sessão de hoje finalmente surgiu a oportunidade de libertar todo o poder de Doc Black, e foi muito legal. Como é normal nesses casos, muitas vezes pensei em mil e uma formas extraordinárias de interpretar este feito, e o modo como aconteceu foi um pouco diferente daquele que imaginei, pois Diana acabou com o minotauro antes que eu pudesse concluir minha sina. Mas fiquei satisfeito quando notei que Tibúrcio teve sensibilidade e criatividade suficientes para dar um toque especial ao momento.

Nesta postagem vou descrever como desejava que acontecesse a cena.

-x-

O Bando estava cercado por todos os lados. Inimigos monstruosos e asseclas das mais diversas espécies pareciam estar esperando nosso ataque. A balbúrdia dificultava que organizássemos nossas forças, mal podia ouvir a mim mesmo. Ainda assim meus soldados fizeram um círculo defensivo em torno de mim, uma reação instintiva e condicionada pela experiência que já tinham dessas situações de conflito. Corleone, Diana, Prii, Klavan, Bass... estavam cada um por si.

Durante o primeiro minuto do confronto observei o campo de batalha e tentei, com pouco sucesso, coordenar as ações de heróis e seguidores. Não sou um combatente hábil; o melhor que podia fazer era alertar meus companheiros contra batedores e oportunistas, e ficar a postos para prestar auxílio médico e tático. Infelizmente apenas os policiais que me servem atuavam em uníssono comigo. Aos outros só podia orar aos deuses por sorte.

- Destrua o líder, e as tropas ficarão desmoralizadas e desorientadas.

Olhei ao redor, assustado. Não vi ninguém ao meu lado, mas sabia que havia alguém ali. A voz rouca e maliciosa soou a menos de dois metros, e pude sentir o fétido hálito da criatura, de algum ponto. Não tive tempo para raciocinar sobre o assunto: um golpe rápido me projetou contra a parede de uma construção e o impacto foi tão poderoso que a atravessei, fazendo um pequeno buraco na base do prédio.

- "DOUTOR BLAAAAACKKKKK!!!!" Gritaram os policiais, que não faziam a mínima ideia do que havia acontecido.

O golpe deslocou completamente meu braço direito e quebrou o esquerdo em três partes. Minha bacia, que foi a primeira parte a encontrar a parede de tijolos, parecia ter sido pulverizada. Perdi parcialmente a visão e os outros sentidos ficaram turvos. Meus nervos não funcionavam direito, pois não havia dor, apenas dormência e paralisia em todo o corpo. Havia pouco sangue a vista, pois a hemorragia era interna. Mesmo não vendo ou sentindo nada, eu sabia que havia sofrido traumatismo craniano.

- "Ainda vivo? Por pouco tempo." A mesma voz, ainda invisível, falou.

Seja por descuido, seja pelo desejo de se revelar à vítima, meu adversário deixou o manto de sombras que o tornava invisível. Era uma grande e musculoso lestrigão, embora mal pudesse reconhecê-lo devido a quase cegueira que me afligia, e também por jamais ter ouvido histórias sobre meio-gigantes capazes de se tornar invisíveis. Meu oponente se aproximava, parecia contar apenas com os próprios punhos como armas.

Chorei. Não pela dor ou sofrimento, mas pelo que o monstro me obrigaria a fazer. Roguei ao Destino que tivesse compaixão dos humanos que por tanto tempo zelei, contendo a evolução natural de meu poder divino. Rezei ao meu Pai, pedindo que me concedesse força suficiente para subjugar meu inimigo. Então permiti a liberação de todo meu poder.

A parca luz do aposento começou a convergir toda para mim. Minha pele, até então muito branca, adquiria lentamente uma aparência bronzeada, que refletia cada vez mais forte essa luz. De um modo macabro e assustador meus ferimentos começavam a cicatrizar sozinhos, os ossos se reajustavam, meus sentidos voltavam ao normal, e meus nervos gritavam de dor enquanto meu corpo se restabelecia. O brilho se tornou forte o suficiente para conter o avanço do monstro, que parecia incomodado com a luminosidade. Fiquei de pé e falei, com fúria vingativa:

- MONSTRO MALDITO! VOCÊ ME OBRIGOU A FAZER O QUE MAIS TEMIA. NÃO PODIA TOMBAR NESTE MOMENTO, NÃO TÃO PERTO. PARA SOBREVIVER, PRECISEI LIBERAR TODO O PODER QUE MANTIVE LATENTE, NÃO HÁ MAIS VOLTA. AGORA, DESTRUIÇÃO SE ABATERÁ SOBRE VOCÊ POR MINHAS PRÓPRIAS MÃOS...

Meus olhos ficaram totalmente dourados, e um cone de energia invisível foi emitido. Radiação ultravioleta envolveu o corpo do lestrigão, que imeditamente começou a explodir em pústulas cancerosas e severas queimaduras de terceiro grau. Seu corpo parecia lutar contra a doença degenerativa.

- POR MEU PAI, PELO OLIMPO, MORRA!

Em segundos, o enorme corpo jazia no chão pedregoso, frito pela energia radiativa.

Os policiais invadiram atrapalhadamente o prédio, avançando pela pequena abertura feita pelo corpo de Doc Black, e o assombro os dominou. O franzino e inofensivo garoto que seguiam já não se encontrava lá. Agora havia um belo e atlético rapaz, de pele bronzeada e porte rígido e imponente.

Com a voz triste, Doc Black suspirou:

- Não há mais volta.

En Taro Adun!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Entrevista com Black

REVISTA SCION:USA
Caro sr. Black, posso chama-lo assim?, Qual o DEUS que o senhor acha mais inteligente e perspicaz do monte Olimpo? E qual DEUS nórdico o senhor gostaria de conhecer?

Sua jornada foi longa, qual o melhor momento dela?

Qual Scion o senhor levaria numa missão se o senhor puder escolher claro,kkkkk,?

Sobre seu namoro com a filha de Atena, como vai ficar?

Se vc tiver que escolher entre uma vida na Terra ou no Olimpo qual vc escolheria?

Qual o maior enigma que vc encontrou em suas aventuras?

-x-

Caro sr. Black - posso chamá-lo assim? - qual o DEUS que o senhor acha mais inteligente e perspicaz do Monte Olimpo?
- Esta é a forma que prefiro ser chamado, de fato. Não me incomoda a opção "Doc Black", caso prefira. Suponho que você espera que exalte a meu pai como superior nas qualidades que apontou, mas se nesta entrevista devo zelar sobretudo pela verdade, é claro que Mércurio é o Deus que devo citar. Que Minerva respeite minha singela opinião e reserve sua ira àqueles que merecem!

E qual DEUS nórdico o senhor gostaria de conhecer?
- Desse belicoso panteão, que dá primazia e incentivo à barbárie e violência em detrimento do inquestionável poder da estratégia e do intelecto voltados para a busca da paz e bem-estar da humanidade, humanidade esta a qual todos dependemos, reforce-se esta ideia, admito que prefiro distância. Contudo, surgisse tal oportunidade, gostaria de conhecer e parlamentar com Loki, o caótico e destrutivo deus das trapaças, o predestinado a provocar o apocalipse nórdico.

Sua jornada foi longa, qual o melhor momento dela?
- Se devo citar apenas um dos feitos que me orgulham em minha jornada, apontarei a criação da vacina contra o vírus Croatan num curtíssimo espaço de tempo. Em menos de 24 horas decifrei toda a cadeia vital do micróbio, desde sua constituição gênica à forma de contágio e tempo de incubação, e formulei com sucesso e em quantidade suficiente para conter por completo uma epidemia, o antígeno. Absolutamente gratificante.

Qual Scion o senhor levaria numa missão, se o senhor puder escolher, claro, kkkkk?
- Se minhas opções estiverem restritas ao Bando que mais frequentemente atua comigo, naturalmente minha escolha será o sr. Corleone, o Filho de Netuno. Dentre todos, apenas ele consegue compreender com maior clareza meus objetivos e devoções. Embora nem sempre ele consiga acompanhar minha agudeza intelectual, confio minha vida a ele.

Sobre seu namoro com a filha de Atena, como vai ficar?
- Hein? Namoro, você disse? Oh, sim, Thalia Grace... Embora a profecia seja um de meus dons, não faço ideia da informação que possui para criar este factoide. A senhorita Grace e eu possuímos apenas um forte laço de amizade nutrido essencialmente por nossa devoção ao conhecimento e à intelectualidade. Qualquer afirmação contrária a esta estará indo de encontro à verdade.

Ao menos por enquanto.

Se você tiver que escolher entre uma vida na Terra e uma no Olimpo qual você escolherá?
- Sem titubear e sem a mínima duvida no coração, asseguro que minha felicidade e satisfação estará em permanecer ao lado dos mortais por toda minha existência, zelando-os e protegendo-os como a um bom pastor. Tivesse eu o poder de dobrar o Destino para seguir esta trilha virtuosa, eu ousaria usá-lo, não importassem as consequências.

Qual o maior enigma que você encontrou em suas aventuras?
- Provavelmente o Enigma do Deus Uno, que por mais incrível e inaceitável que seja ainda não decifrei por completo. Sim, o fracasso mantém-se vigilante, acometendo-me de dúvidas quanto a minha capacidade e mostrando suas garras em todos os momentos que tento descansar um pouco a mente. Contudo, minha intuição aponta que o desafio não poderá ser solucionado apenas na teoria, matematicamente. Para vencê-lo precisarei fechar os pontos dúbios e aparentemente ilógicos pessoalmente, quando minhas buscas me conduzirem, guiado pelo Destino, aos ancestrais Centros de Poder desse Deus.

Não tema. Triunfarei!

sábado, 24 de julho de 2010

Doc Black, the Demigod

Saudações cordiais, camaradas.

O objetivo desta postagem é deixar registradas as alterações que pretendo fazer na ficha de Doc Black quando ele avançar para Demigod, repetindo alguns trechos da postagem do dia 14.04.10 em que adiantei minhas aspirações visando facilitar o planejamento das aventuras por Tibúrcio. Em outra postagem tecerei comentários acerca dessas modificações (minha intenção é escrever histórias curtas sobre isso).

- Meta: tornar-se o Deus do Bem-Estar (God of Well-Being);

- Preocupa-se tanto com a humanidade que opta em manter baixo seu nível de poder (Lenda) para diminuir as complicações de sua Fateful Aura. Black avançará lentamente neste aspecto, buscando a todo custo uma forma de conseguir acessar o Boon Guardian antes de liberar todo seu potencial;

- A evolução do personagem apresentará as seguintes características:
A) Focará o desenvolvimento dos Attributes (e Epic Attributes) Intelligence e Stamina. Os outros atributos evoluirão equilibradamente, sem dar primazia a nenhum caráter em especial.
B) Focará o desenvolvimento destas seis Abilities: Art, Athletics, Empathy, Medicine, Presence e Science; Desprezará: Brawl, Larceny, Melee, Stealth e Throw.
C) Focará o desenvolvimento dos Boons Arete (Medicine), Health, Guardian, Prophecy, Mystery e Magic.

- Solicitará a Quíron que seja seu Mentor (Guide), aceitando as tarefas que ele propuser para conseguir este objetivo (i.e, adquirirá o Birthright Guide);

- Produzirá voluntariamente Fatebiding com um grupo de mulheres mortais selecionadas através de Asses Health para formar um harém (i.e., adquirirá o Birthright Followers);

- Será presenteado com um Minotauro para protegê-lo (i.e, adquirirá o Birthright Followers);

- Seus Followers atuais serão promovidos a agentes da SWAT (i.e, incrementarão o dot atual do Birthright Followers).

Em termos de regras:

ATTRIBUTES (4/3/2)
Strength +1, Dexterity +2, Stamina +1
Charisma +1, Appearance +1
Perception +1, Wits +2

BOONS (10)
Prophecy +3
Arete (medicine) +3
Epic Intelligence +2
Epic Stamina +2

BIRTHRIGHTS (5)
Guide 5 (Quíron)

BONUS POINTS (15)
7 bonus points para adquirir Followers 5 (minotaur)
1 bonus point para "linkar" o minotaur ao apito-relíquia, tornado-o uma relíquia de 3 dots
1 bonus point para incrementar Followers (beat cops) a 3 dots, promovendo-os a agentes da SWAT
1 bonus point para adquirir Followers 1 (generic mortal)
3 bonus points para adquirir Creature 3 (Apollo's Sacred Cow)
1 bonus point para incrementar a Favored Ability Medicine
1 bonus point para incrementar o Volkswagen-relíquia de modo a permitir canalizar o Purview Sky

EDIÇÃO DA POSTAGEM (KNACKS)

Epic Intelligence +2
- Language Mastery: Uma das coisas que Doc Black mais fez na campanha foi decifrar textos e idiomas antigos. Nada mais natural que tenha entendido as raízes e as regras gramaticais da maioria das linguagens atuais, tornando-se um especialista nisso.
- Cypher: Da mesma forma, ao decifrar idiomas, códigos e mensagens subliminares Doc Black percebeu que esta é uma estratégia extraordinária de proteger informações importantes de caírem nas mãos dos inimigos. Compreendendo os padrões utilizados por seus predescessores nessa arte, desenvolveu sua própria forma de criar e registrar mensagens ocultas.

Epic Stamina +2
- Regeneration: O que esperar de alguém destinado a oferecer o bem-estar para a humanidade se ele não possuir a habilidade de trazer bem-estar (da forma mais óbvia possível) a si próprio?
- Devourer: A epítome da autossustentação. Como um Deus associado à boa saúde essa habilidade demonstra que nenhum alimento ou bebida pode adoecê-lo e que seu vigor e vitalidade podem ser readquiridos de fontes nem um pouco convencionais. Coisa divina mesmo (ou do demo!!).

En Taro Adun!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fotos para ajudar na visualização em jogo de Doc Black

Saudações cordiais, camaradas.

Como sou um jogador de pele morena e vocês estão acostumados a me verem interpretando Zero, um negro, e também porque não tenho muita convicção que todos prestaram atenção quando descrevi a aparência de Doc Black, acá estou realizando o mesmo que fiz na campanha de Diogo: oferecendo a vocês uma imagem aproximada de como é meu personagem.

Embora as fotos sejam de adultos, são de adultos jovens. Por isso peço um pouco de boa vontade de vocês em imaginá-los na adolescência num futuro muito próximo (dentro da campanha atual). Espero que apreciem.

Fotografia tirada no aniversário de primeiro ano da ingressão no Acampamento Meio-Sangue


Fotografia do casal de namorados Lawrence Black e Thalia Grace (Scion of Athena) acompanhados por Copérnico (Creature lv 5 (!) de Thalia)

En Taro Adun!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Informações sobre Doc Black para uma boa utilização por Tibúrcio

Salutations.

Caro Tibúrcio,

Tal como fiz outrora para Diogo, escreverei esta postagem especialmente para você visando desde já colaborar da melhor maneira possível para que desenvolvas uma epopéia. Mesmo reconhecendo que é muito cedo para isso, já estabeleci as metas de sua evolução, por isso fico bastante tranquilo em escrever sobre ela. Fique a vontade para adaptar as informações ao cenário que você criou da maneira que preferir.

- A meta de Doc Black é tornar-se o Deus do Bem-Estar (God of Well-Being), quando passará a ser chamado Saint Lawrence;

- Revela uma estima muito acima da média pelos humanos, sendo muito mais zeloso com eles que com os seres míticos (o que inclui Scions). Ele se preocupa tanto com a humanidade que opta em manter baixo seu nível de poder (Lenda) para diminuir as complicações de sua Fateful Aura. Black avançará lentamente neste aspecto, buscando a todo custo uma forma de conseguir acessar o Boon Guardian antes de liberar todo seu potencial;

- A evolução do personagem apresentará as seguintes características:
A) Focará o desenvolvimento dos Attributes (e Epic Attributes) Intelligence e Stamina. Os outros atributos evoluirão equilibradamente, sem dar primazia a nenhum caráter em especial.
B) Focará o desenvolvimento destas seis Abilities: Art, Athletics, Empathy, Medicine, Presence e Science; Desprezará: Brawl, Larceny, Melee, Stealth e Throw.
C) Focará o desenvolvimento dos Boons Arete (Medicine), Health, Guardian, Prophecy, Mystery e Magic.

- Solicitará a Quíron que seja seu Mentor (Guide), aceitando as tarefas que ele propuser para conseguir este objetivo (i.e, adquirirá o Birthright Guide);

- Produzirá voluntariamente Fatebiding com um grupo de mulheres mortais selecionadas através de Asses Health para formar um harém (i.e., adquirirá o Birthright Followers);

- Será presenteado com um Minotauro para protegê-lo (i.e, adquirirá o Birthright Followers);

- Seus Followers atuais serão promovidos a agentes da SWAT (i.e, incrementarão o dot atual do Birthright Followers).

Lembro que tudo que descrevi poderá ser adaptado para facilitar tua narração, a qual estou apreciando muito, meus sinceros parabéns pelo trabalho.

En Taro Adun!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Historia de Balle

Contarei um pouco de historinha para entender melhor a novela dos Yantha que é a mitologia nórdica. EL era o pai de todos os daimons e tinha uma esposa, Astarote. Dentre todos os filhos ele nomeia Yammu para ficar em seu lugar. Baal, como queria o trono, fica furioso e derrota Yammu. Outros dois irmãos de Yammu, vendo essa situação, se voltam contra Baal; eram eles Naharu (o rio) e Motu (a morte). Baal é derrotado por Motu e enviado para as profundezas.

É aí que entra a irmã e amante de Baal, Anat, que o traz de volta da morte. Baale volta, manda Motu pra as profundezas e aniquila o próprio pai, EL, tomando assim não só o seu trono, como também a sua esposa, Astarote. Assim, EL cai no esquecimento e Baale se torna o daimons principal da mitologia. Gostaram da historinha?

Pois bem, toda essa história foi criada pelos Yantha apenas para explicar porque o daimons local deles (EL) foi substituído por Hadade, que passou a ser chamado de Baale. Pelos habitantes da casa da Desolação ser totalmente dependentes da chuva para suas plantações, foi muito conveniente tomar para si o deus das tormentas do povo Yantha. Sim, Baale era deus das tormentas. Nada mais conveniente para um povo que vivia da agricultura. Para eles a chuva era o sêmen de Baal caindo sobre a terra, tornando-a fértil, como um homem torna fértil uma mulher com o seu sêmen.

Para os Yantha, Baale era o senhor do tempo. Ele era adorado principalmente nos montes, ou lugares altos. Mas podia também ser adorado em qualquer lugar que tivesse um Astarote (um pedaço de tronco fincado na terra, igual a um tótem). Isso porque a esposa de Baale, Astarote, era simbolizada por qualquer tipo de pedaço de árvore ou planta.

Com a idéia do sêmen de Baale caindo sobre a terra em forma de chuva, os cultos a Baale centravam-se na atividade sexual, podendo ser chamado como a danação. A religião Yantha era basiada na danação, sacrifícios e atos ediondos em prol de sua dinvindade. Isso é visto no livro de Völuspá. A sua esposa não era simplesmente uma prostitua, era uma sacerdotisa de Baale.

FIM

quarta-feira, 24 de março de 2010

Doc Black Journal - 1

NY, 21 de março de 2010. Domingo.

00h31. Bata lavada e engomada, maleta checada (providenciar mais gaze estéril e álcool gel), cirurgias agendadas confirmadas, celular e pager carregados... ótimo. Sigamos conforme planejado, pois.

Huummm... embora não seja raro acontecer, o Grimoire do Destino não revela nenhum evento novo, continua indicando que muito em breve haverá grande movimentação mítica aqui na cidade. Meu papel não está claro, pois minha aura é ofuscada pela presença poderosa deles. As visões apontam que são aliados, mas não consigo me ver entre eles. Estarão eles ao lado dos Deuses ou dos Titans?

resposta do narrador = Grimoire começa a desenhar traços indicando um parque ao sul da Green Village.

É suficiente. Por experiência própria sei que não adianta forçar o Destino a revelar mais do que o necessário antes da hora, pois sendo abstrato ele nada deve e nada teme. Tudo acontece no seu devido tempo, e nada que façamos mudará isso. Conhecê-lo antecipadamente apenas fornece tempo para nos prepararmos para o inevitável.

01h57. Aos livros.

23h. Calamidade! Não houve leitos suficientes nos grandes hospitais para atender às centenas de feridos do acidente no metrô. 29 pessoas foram transferidas às pressas para o hospital da NYU, 6 não resistiram. O fato de todos os atendidos por mim terem sobrevivido não diminui a frustração de saber que vidas foram perdidas por ocasião de um atentado terrorista, apesar de saber que foi algo sobrenatural, eu podia sentir, e não posso simplesmente relevar, como sugerido pelo diretor do hospital. "Fatalidades acontecem em todos o lugares do mundo, só podemos fazer o que está ao nosso alcance".

Reposta do narrador = desenha-se o metro, linha verde terminal do Brooklyn.

Embora de grande insensibilidade, ele está certo. E por isso mesmo fico tão contrariado. Meus companheiros de profissão são mortais; o alcance deles é mesmo restrito, quando comparados a mim. Pois,

SOU LAWRENCE BLACK, FILHO DE APOLLO!
MEU PODER E MEU DESTINO NÃO SE COMPARAM AOS DOS MORTAIS E ZELAR POR ELES EM SUA FRAGILIDADE E NO QUE ESTÁ FORA DE SEU ALCANCE É MEU DEVER E MINHA HONRA!!!!!!!!
-x-

NY, 22 de março de 2010. Segunda-feira.
01h03. Às vezes eu insulto minha própria inteligência. Difícil achar justificativa para perder meu tempo recorrendo aos noticiários na esperança de informações exatas sobre o acidente. Amanhã conversarei com alguns dos sobreviventes que não tiverem recebido alta. Será este o primeiro indício das consequências da convergência de grande quantidade de energia Lendária que pressenti?

Enfim posso registrar minha conclusão nº1 de meu experimento. Ontem completaram-se 45 dias em que segui a mesma rotina, 65 horas de atividade intensa intercaladas por 7 horas de repouso e nenhum sinal de fadiga. Muito bem. Passemos agora a fase dois: 89 horas de atividade para 7 de repouso durante 45 dias começando às 00h30 de amanhã.

23h. Nenhuma novidade relevante sobre o acidente. Meus contatos com a polícia e os moradores do bairro comentavam apenas sobre as mesmas notícias manipuladas pela mídia. Talvez eu esteja preocupado demais.
Reposta do narrador = microtremores passaram a ser sentidos por vc esta noite
-x-

NY, 23 de março de 2010. Terça-feira.

23h. Fracasso completo. Nenhum dos sobreviventes que foram encaminhados ao NYUH estava no epicentro do evento que desencadeou o acidente. Terei que aguardar novos acontecimentos para ter certeza que isso tem relação com minhas visões proféticas.

As crianças parecem gostar da forma como as ensino na escola do bairro, suas notas melhoraram muito e seus pais vem me cumprimentar com orgulho genuíno. É gratificante. Entretanto, segundo minha auto-avaliação, posso ser um professor muito melhor, poderia estar dando aulas no ensino médio. Talvez minha "deficiência" atual seja porque como nunca pediram minha ajuda para ensinar alguém, sempre foquei os estudos para meus próprios ganhos. Trabalharei em meu aperfeiçoamento.
Resposta do Narrador = Vc nota que entre as cartas que estavam na mesa uma era do High School College Notredan, lhe convidando para ministrar a cadeira de biologia e química neste segundo semestre eletivo.
-x-

NY, 24 de março de 2010. Quarta-feira.

04h11. Há pouco conclui meus trabalhos experimentais onde buscava criar uma fórmula de base homeopática para reduzir a dependência dos usários de crack à droga. O resultado foi completamente insatisfatório. Mas nada de desânimo: analisarei e repensarei os procedimentos e recomeçarei o mais breve possível - não chegarei ao fim de meus dias sem ver o flagelo das drogas totalmente aniquilado. Isto eu prometo!
-x-

NY, 25 de março de 2010. Quinta-feira.

01h31. O Grimorio desenha um Gigante destruindo um galpão, um halfling fora destroçado por ele e o prédio cai em chamas.
02h31. O inevitável ocorre, um incêndio de grandes proporções destruiu totalmente um galpão no Bronx onde acontecia uma festa infantil patrocinada por um político local. Era início de noite e a atração principal ia começar: Beyoncé! A obra do Destino mais uma vez fez os sistemas de combate a incêndio não funcionaram e as rotas de fuga estavam obstruídas. Havia umas 500 pessoas no local, incluindo o helfling, metade delas crianças. Era final de plantão no NYUH quando soube da notícia. Parti imediatamente, tomando um táxi para chegar o mais rápido possível no local.

A cena era de desespero. Os bombeiros já estavam atuando, mas o trabalho era difícil. Diante de tal situação não pensei duas vezes: concentrei a energia semi-divina que permeia minha alma no apito de marfim que me foi dado por meu Pai e invoquei a frota de entidades, para mortais policiais, que me seguem como a um líder. Não obstante minha pouca idade, aqueles 10 indivíduos de valor e pais de família já enfrentaram várias situações junto a mim e reconhecem, mesmo sem entender exatamente como, que possuo um propósito especial neste mundo. Eles me confiam suas vidas.

Mesmo intimidados pelo medo natural que todas as criaturas têm ao fogo, encorajei-os a salvar aquelas pessoas, principalmente as crianças, sem se preocupar com a própria segurança, agindo com destemor e resiliência diante da dor e dificuldade da tarefa. Eles sabiam o que eu queria dizer: em dois momentos anteriores eles testemunharam os companheiros mortos serem ressucitados, teoricamente por minha fantástica perícia médica. Eles não mais temem a morte quando estão a meu serviço.

O resultado final foi terrível, com dezenas de vítimas inocentes mortas das piores maneiras possíveis. Tive que segurar muito as lágrimas para servir como um bastião de esperança àqueles pobres sofredores. O culpado terá que ser punido.

23h. Os primeiros laudos periciais informados até agora indicam que um grande curto-circuito do gerador do galpão foi à causa do incêndio, como os humanos são enganados tão facilmente pela nevoa.

Resposta do narrador = A névoa é algo muito séria....
-x-

NY, 26 de março de 2010. Sexta feira.

23h. As crianças notaram que eu estava irritadiço e até mesmo distante hoje na sala de aula. Coitadas. Tenho que aprender a disfarçar minhas inquietações, pelo menos diante delas, ainda tão inocentes.

Consegui ter acesso ao local do incêndio através de meus contatos com a polícia. Decepção. Minhas habilidades investigativas corroboraram os laudos técnicos apresentados. A prefeitura e os bombeiros serão responsabilizados pelo acidente.

Não bastasse isso, os noticiários passaram o dia enfocando também o drama dos parentes das vítimas do acidente do metrô do domingo passado.
Carniceiros!

Não estou com espírito para escrever mais nada hoje.
-x-

NY, 27 de março de 2010. Sábado.

23h. Após a missa matinal e o desjejum, decidi ficar no meu quartinho nos fundos da igreja o dia todo, isolado do resto do mundo e apenas estudando. Engraçado, não fui incomodado por ninguém. O dia passou devagar, embora minha mente estivesse superconcentrada. Formulei mais algumas hipóteses para meus experimentos antidrogas (as idéias fluíam com velocidade e leveza deliciosas) e terminei de formular minha terceira tese de mestrado.

Desta vez não lerei o Grimoire do Destino. Às vezes tenho a impressão que o Destino gosta de nos ver ansiosos sobre o que vem pela frente. Não desta vez. Relaxarei e aguardarei algo mais vívido acontecer. É, este foi um bom dia. Vou dormir um pouco agora.
Resposta do narrador = 00h. O céu fica escuro, nuvens negras e raios são entrelaçados por elas, os microtremores na ilha ficam mais intensos. As nuvens ganham formas de cones. Uma garoa fina começa a cair, fumaça começa a sair dos bueiros.

terça-feira, 23 de março de 2010

Doc Black's Journal I (original)

NY, 21 de março de 2010. Domingo.

00h31. Bata lavada e engomada, maleta checada (providenciar mais gaze estéril e álcool gel), cirurgias agendadas confirmadas, celular e pager carregados... ótimo. Sigamos conforme planejado, pois.

Huummm... embora não seja raro acontecer, o Grimoire do Destino não revela nenhum evento novo, continua indicando que muito em breve haverá grande movimentação mítica aqui na cidade. Meu papel não está claro, pois minha aura é ofuscada pela presença poderosa deles. As visões apontam que são aliados, mas não consigo me ver entre eles. Estarão eles ao lado dos Deuses ou dos Titans?

É suficiente. Por experiência própria sei que não adianta forçar o Destino a revelar mais do que o necessário antes da hora, pois sendo abstrato ele nada deve e nada teme. Tudo acontece no seu devido tempo, e nada que façamos mudará isso. Conhecê-lo antecipadamente apenas fornece tempo para nos prepararmos para o inevitável.

01h57. Aos livros.

23h. Calamidade! Não houve leitos suficientes nos grandes hospitais para atender às centenas de feridos do acidente no metrô. 29 pessoas foram transferidas às pressas para o hospital da NYU, 6 não resistiram. O fato de todos os atendidos por mim terem sobrevivido não diminui a frustração de saber que vidas foram perdidas por ocasião de um atentado terrorista. Tinha algo mais nisso tudo, eu podia sentir, e não posso simplesmente relevar, como sugerido pelo diretor do hospital. "Fatalidades acontecem em todos o lugares do mundo, só podemos fazer o que está ao nosso alcance".

Embora de grande insensibilidade, ele está certo. E por isso mesmo fico tão contrariado. Meus companheiros de profissão são mortais; o alcance deles é mesmo restrito, quando comparados a mim. Pois,

SOU LAWRENCE BLACK, FILHO DE APOLLO!
MEU PODER E MEU DESTINO NÃO SE COMPARAM AOS DOS MORTAIS E ZELAR POR ELES EM SUA FRAGILIDADE E NO QUE ESTÁ FORA DE SEU ALCANCE É MEU DEVER E MINHA HONRA!

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NY, 22 de março de 2010. Segunda-feira.

01h03. Às vezes eu insulto minha própria inteligência. Difícil achar justificativa para perder meu tempo recorrendo aos noticiários na esperança de informações exatas sobre o acidente. Amanhã conversarei com alguns dos sobreviventes que não tiverem recebido alta. Será este o primeiro indício das consequências da convergência de grande quantidade de energia Lendária que previ?

Enfim posso registrar minha conclusão nº1 de meu experimento. Ontem completaram-se 45 dias em que segui a mesma rotina, 65 horas de atividade intensa intercaladas por 7 horas de repouso e nenhum sinal de fadiga. Muito bem. Passemos agora a fase dois: 89 horas de atividade para 7 de repouso durante 45 dias começando às 00h30 de amanhã.

23h. Nenhuma novidade relevante sobre o acidente. Meus contatos com a polícia e os moradores do bairro comentavam apenas sobre as mesmas notícias manipuladas pela mídia. Talvez eu esteja preocupado demais.

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NY, 23 de março de 2010. Terça-feira.

23h. Fracasso completo. Nenhum dos sobreviventes que foram encaminhados ao NYUH estava no epicentro do evento que desencadeou o acidente. Terei que aguardar novos acontecimentos para ter certeza que isso tem relação com minhas visões proféticas.

As crianças parecem gostar da forma como as ensino na escola do bairro, suas notas melhoraram muito e seus pais vem me cuprimentar com orgulho genuíno. É gratificante. Entretanto, segundo minha autoavaliação, posso ser um professor muito melhor. Talvez minha "deficiência" atual seja porque como nunca pediram minha ajuda para ensinar alguém, sempre foquei os estudos para meus próprios ganhos. Trabalharei em meu aperfeiçoamento.

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NY, 24 de março de 2010. Quarta-feira.

04h11. Há pouco conclui meus trabalhos experimentais onde buscava criar uma fórmula de base homeopática para reduzir a dependência dos usários de crack à droga. O resultado foi completamente insatisfatório. Mas nada de desânimo: analisarei e repensarei os procedimentos e recomeçarei o mais breve possível - não chegarei ao fim de meus dias sem ver o flagelo das drogas totalmente aniquilado. Isto eu prometo!

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NY, 25 de março de 2010. Quinta-feira.

02h31. Diferente do padrão, desta vez não pude registrar os acontecimentos às 23h do dia anterior. Um incêndio de grandes proporções destruiu totalmente um galpão no Bronx onde acontecia uma festa infantil patrocinada por um político local. Era início de noite e a atração principal ia começar: Beyoncé! Não sei se foi displicência dos técnicos responsáveis ou obra do Destino mas os sistemas de combate a incêndio não funcionaram e as rotas de fuga estavam obstruídas (o que me faz pensar que o incêndio pode ter sido criminoso). Havia umas 500 pessoas no local, metade delas crianças. Era final de plantão no NYUH quando soube da notícia. Parti imediatamente, tomando um táxi para chegar o mais rápido possível no local.

A cena era de desespero. Os bombeiros já estavam atuando mas o trabalho era difícil. Diante de tal situação não pensei duas vezes: concentrei a energia semi-divina que permeia minha alma no apito de marfim que me foi dado por meu Pai e invoquei a frota policial que me segue como a um líder. Não obstante minha pouca idade, aqueles 10 homens de valor e pais de família já enfrentaram várias situações junto a mim e reconhecem, mesmo sem entender exatamente como, que possuo um propósito especial neste mundo. Eles me confiam suas vidas.

Mesmo intimidados pelo medo natural que todas as criaturas tem ao fogo, encorajei-os a salvar aquelas pessoas, principalmente as crianças, sem se preocupar com a própria segurança, agindo com destemor e resiliência diante da dor e dificuldade da tarefa. Eles sabiam o que eu queria dizer: em dois momentos anteriores eles testemunharam os companheiros mortos serem ressucitados, teoricamente por minha fantástica perícia médica. Eles não mais temem a morte quando estão a meu serviço.

O resultado final foi terrível, com dezenas de vítimas inocentes mortas das piores maneiras possíveis. Tive que segurar muito as lágrimas para servir como um bastião de esperança àqueles pobres sofredores.

Descobrirei se foi um acidente ou um crime. Os culpados terão que ser punidos.

23h. Os primeiros laudos periciais informados até agora indicam que um grande curto-circuito do gerador do galpão foi a causa do incêndio. Não pode ser tão simples. E onde estavam os extintores de incêndio, por que os sifões por calor falharam e as saídas de emergência estavam obstruídas?

Chega, amanhã darei um jeito de investigar por mim mesmo.

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NY, 26 de março de 2010. Sexta-feira.

23h. As crianças notaram que eu estava irritadiço e até mesmo distante hoje na sala de aula. Coitadas. Tenho que aprender a disfarçar minhas inquietações, pelo menos diante delas, ainda tão inocentes.

Consegui ter acesso ao local do incêndio através de meus contatos com a polícia. Decepção. Minhas habilidades investigativas corroboraram os laudos técnicos apresentados. Se houve crime, foi cometido por alguém extremamente habilidoso. A prefeitura e os bombeiros serão responsabilizados pelo acidente.

Não bastasse isso, os noticiários passaram o dia enfocando também o drama dos parentes das vítimas do acidente do metrô do domingo passado. Carniceiros!

Não estou com espírito para escrever mais nada hoje.

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NY, 27 de março de 2010. Sábado.

23h. Após a missa matinal e o desjejum, decidi ficar no meu quartinho nos fundos da igreja o dia todo, isolado do resto do mundo e apenas estudando. Engraçado, não fui incomodado por ninguém. O dia passou devagar, embora minha mente estivesse superconcentrada. Formulei mais algumas hipóteses para meus experimentos antidrogas (as ideias fluíam com velocidade e leveza deliciosas) e terminei de formular minha terceira tese de mestrado.

Desta vez não lerei o Grimoire do Destino. Às vezes tenho a impressão que o Destino gosta de nos ver ansiosos sobre o que vem pela frente. Não desta vez. Relaxarei e aguardarei algo mais vívido acontecer.

É, este foi um bom dia. Vou dormir um pouco agora.

domingo, 14 de março de 2010

A Saga de Lawrence Black, Scion of Apollo

A Saga de Doc Black, Scion of Apollo
Ato 1, Capítulo 1: Prólogo


Boa noite, coronel. A recepcionista informou que procurava especificamente por mim no hospital. Estou certo que o objetivo de sua busca não reside apenas na esperança de que eu trate essa luxação no punho, nem tampouco em saber o motivo pelo qual ajudei aqueles arruaceiros sem-teto a fugirem pouco antes da explosão do caminhão-tanque que destruiu parte do prédio da prefeitura. Também não é preciso dizer que sabe que nada tive a ver com a explosão. Na verdade, ambos sabemos que o provável causador daquilo, indiretamente é claro, foi o senhor. Devo dizer que admirei sua coragem em encarar aquelas duas quimeras sozinho. Já deve ter passado por muita coisa difícil antes para ter sobrevivido com apenas esta leve contusão.

Ok. Vamos ao que interessa. Sou Lawrence Black, tenho Q.I 176, completei 14 anos há 17 dias, 5 horas e 41 minutos e acabei de me formar em medicina. Como percebeu após o término de seu combate, não sou um humano superdotado qualquer. Sou parte da prole de Apollo neste país e fui orientado pelo próprio a usar meu intelecto superior para preservar o máximo de vidas humanas que puder durante a Guerra. Esforço-me na difícil arte da interpretação das obscuras linhas do Destino, pois a partir dela consigo estar preparado com a estratégia perfeita a ser usada no lugar certo e no momento certo. Minhas habilidades inatas conduziram-me também na escolha da profissão médica, onde meus talentos terão precisa utilidade.

Hum? Ora, mas que curioso. Sua expressão facial revela que está me julgando um presunçoso arrogante. Diga-me, coronel, sendo o senhor também o filho de um deus, não se sente superior aos humanos que nos rodeiam? Talvez sinta vergonha desse sentimento, não posso adivinhar isso... ainda. Minhas análises e estatísticas, contudo, indicam esta como uma característica de nossa natureza semi-divina.

Sulphur, Oklahoma, há pouco mais de 14 anos. Uma família amish formada por um casal infértil encontra à sua porta um bebê com apenas alguns dias de vida. Todos na comunidade, que segue a risca os preceitos da Bíblia cristã, descreveram que um anjo luminoso desceu a casa desse casal e os abençoou. Durante os 6 anos, 4 meses e 19 dias seguintes fui criado na mais exemplar tradição amish. Até que certo dia sonhos premonitórios começaram a se manifestar. No início era coisas simples, como adivinhar que ia chover ou que receberíamos alguma visita incomum. Os meses passaram e coisas mais sérias passaram a ser previstas, como a morte de alguém ou a formação de um furacão. A comunidade ficou dividida: alguns achavam que eu era um profeta de Deus, outros do Diabo. Bom, até que eles não erraram tanto, não é? Prolongou-se por mais um ano esta situação esquisita, até que no meu aniversário de 8 anos decidi por mim mesmo abandonar a comunidade. Acredito, sinceramente, que meus “pais” ficaram aliviados. Apesar da pouca idade, minha inteligência excepcional ajudou-me a superar com relativa facilidade os problemas que apareciam. Minhas profecias, que agora surgiam “magicamente” através do rearranjo das letras nos livros que lia e mais raramente por sonhos, guiavam-me frequentemente pelo caminho mais vantajoso possível. Chegando à capital do estado, procurei o serviço de assistência social e solicitei ajuda. Em pouquíssimo tempo fui encaminhado para um colégio interno, onde minhas habilidades intelectuais não demoraram a se destacar. 13 dias depois fui transferido para a turma do 1º ano do segundo grau e após 4 meses para a do 3º ano. Mais 6 meses e concluí o Ensino Médio. Agora recém-formado médico e prestes a começar a especialização em traumatologia, sigo minha vida ajudando os humanos.

Deseja saber como foi a visitação de Apollo para mim? Há 4 anos e 9 meses estava na biblioteca da universidade quando um professor que nunca tinha visto antes se apresentou a mim e perguntou se poderíamos debater sobre alguns dilemas morais que muitas vezes assolam os homens de bem. Não estranhei o pedido porque no dia anterior eu havia defendido uma tese sobre Ética na Medicina que foi muito elogiada pela comunidade médica local (e dias depois mundial, procure na internet), então aceitei de bom grado a oportunidade. O professor era um grande conhecedor da humanidade e esclareceu muitas dúvidas que eu ainda tinha naquela época, mas ele não se revelara como meu pai, ainda. Isto aconteceu precisamente 1 semana depois: no mesmo canto da biblioteca da outra ocasião, após perguntar se poderíamos conversar novamente, ele tocou em minha testa e me deixou inconsciente por um período que jamais saberei. Ao acordar eu estava deitado numa luxuosa cama de design Greco-romano antigo fortemente iluminado por um clarão semelhante ao sol vindo de todas as direções. Ao buscar por meus óculos, não pude perceber de imediato que não eram os meus originais, devido ao conforto e perfeita correção de minha miopia. Não só isso: enfim consegui ver claramente através da forte luminosidade.

Atravessei salões que pareciam revestidos em ouro, onde circulavam sorrindo e me prestando reverências os mais diferentes seres feitos de luz, alguns até pareciam anjos! No saguão principal, sentado em um trono de ouro e marfim, estava o professor com quem debati durante horas na semana anterior. Era Apollo, que se levantou e me ofereceu seu lugar no trono. Extremamente excitado e empolgado, meu pai não parou de falar da satisfação de finalmente poder se revelar a mim e me dizer suas expectativas. Contou-me sobre a Guerra, sobre os seres míticos e sobre boa parte de minha herança de alegrias e dores nesse conflito. Fiquei maravilhado. Pela primeira vez na minha vida algo fazia sentido para mim. Eu já sentia que possuía um papel especial a desempenhar no mundo, mas não entendia qual. Tudo mudaria a partir daquela revelação. Minhas convicções se tornaram ainda mais fortes e tudo farei para amenizar o sofrimento dos humanos durante a Guerra. Sobretudo sou realista: haverá baixas e não poderei evitá-las... ainda!

Angelo, 14 de março de 2010.

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