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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Resumo da sessão de D&D 3.5 ocorrida sábado, 07.11.09


Saudações cordiais, camaradas.

Atendendo aos comentários, procurei deixar ainda mais detalhado o resumo, fato que me deixou estupefato pela quantidade de coisas que pude citar apesar da sessão ter sido muito mais de roleplay que de ação.

Zabu, Anya e Aminu saíram da caverna e decidiram percorrer todo o caminho de volta pela trilha para encontrar o cocheiro que aguardava seu retorno nas proximidades da montanha Ravina dos Trovões. Zabu pediu ao cocheiro que retornasse a cidade para entregar uma carta ao prefeito explicando seu progresso até o momento. Nesse ínterim o quarteto foi abordado abruptamente por um goliath cambaleante e muito ferido, pedindo por socorro. Inicialmente os dois irmãos ficaram na dúvida sobre o que fazer, mas como Aminu parecia pertencer à mesma raça, perguntaram-no se deveriam ajudar ou não. O monge ponderou um pouco e, mesmo aparentando certa contrariedade, disse que sim. O carpinteiro sacou seu kit de primeiros-socorros e apesar da fisiologia um tanto estranha do gigante de pele semelhante a mármore branco azulado conseguiu executar um ótimo procedimento. O goliath agradeceu, contou rapidamente ter sobrevivido a emboscada de um grupo de gigantes, fechou os olhos e adormeceu exausto.

O trio de herois conversou sobre os riscos que o recém-chegado poderia oferecer quando acordasse e por precaução a belíssima, enorme e pesada marreta de aço que ele carregava nas costas e sua esquisita armadura de couro foram escondidas fora de seu alcance. Aminu revelou que o gigante ferido era um goliath da tribo dos kolagianos, portanto rival de sua própria e que ele merecia morrer. Zabu disse ao monge que estava em débito com ele e que se desejasse dar um fim à vida do kolagiano agora que estava fraco e quase indefeso, ele e a irmã olhariam para o outro lado. Mesmo tentado, Aminu não se permitiu matar a sangue frio e sentindo-se inferiorizado ante o kolagiano por este ter sobrevivido ao ataque de um grupo de gigantes enquanto ele próprio mal resistiu a um único desses monstros, decidiu partir sozinho em busca de iluminação. Dissuadido dessa ideia por Zabu, que lhe pediu que ajudasse na caçada aos goblins e no resgate do corpo de Anna Varee, voltaram ao debate sobre o que fariam com o goliath ferido, se o abandonariam a própria sorte ou se o escoltariam até Aengmar ou Ravina dos Trovões.

Cerca de uma hora de descanso depois, o goliath ferido acordou e percebendo-se sem seus equipamentos, em especial sua enorme marreta, começou a buscar angustiado por seus bens, sendo logo acalmado por Zabu, que garantiu que estavam guardados num local seguro e que assim que ele se identificasse e dissesse seu propósito eles lhe seriam devolvidos. O orgulhoso goliath disse que conversaria, mas não na presença de Aminu. Assim que ficaram a sós ele revelou ser Gauthak Bodystone Kolagiano, guerreiro que viajava num pequeno grupo de comércio que seguia para Aengmar, a cidade dos anões, a negócios, quando foram emboscados por gigantes das montanhas. Surpreendidos e em nítida desvantagem, separaram-se na fuga floresta adentro e acabaram se perdendo uns dos outros. Quando Gauthak soube da missão dos três, ofereceu sua ajuda na caçada aos goblins se depois os herois o ajudassem em sua tarefa. Zabu conversou reservadamente com Anya e Aminu e a decisão da proposta do kolagiano ficou a cargo do monge, que aceitou a companhia do rival.

Era madrugada e decidiram não perder mais tempo em sua busca. Seguindo as instruções do prefeito de como localizar o acampamento goblin, marcharam num ritmo estratégico, na esperança de coincidirem o tempo aproximado de viagem até o território dos gigantes das montanhas com o nascer dos primeiros raios da aurora, o que evitaria um confronto desnecessário com esses perigosos monstros. Chegando ao sopé da cadeia mais alta da Ravina dos Trovões, escalaram-na para ter uma melhor visão dos arredores e do acampamento goblin. Após observarem a região, decidiram avançar até a trilha que conduzia na direção por eles esperada e Gauthak propôs a Aminu uma brincadeira típica de sua raça: descerem a montanha numa competição de corrida! O monge, parecendo se sentir obrigado a aceitar o desafio, posicionou-se sem nada falar. O kolagiano disse que carregaria Anya nos ombros, gerando imediato protesto do enciumado e desconfiado carpinteiro. O enorme guerreiro argumentou dizendo que ele era muito mais forte que o monge e poderia carregá-la mais facilmente morro abaixo que o rival, e para demonstrar isso ergueu um rochedo indiscutivelmente pesadíssimo. Zabu então disse a irmã “Não se preocupe irmãzinha, ele não está querendo dizer que você está gorda” e concordou com a ideia, não sem antes dizer que ficaria de olho para qualquer falta de respeito, para o que o goliath garantiu que as mulheres humanas não o interessavam. Zabu então falou para Anya “Não se preocupe irmãzinha, ele não está querendo dizer que você é feia”. Arquibaldo então pulou para a mochila de Zabu, que subiu nos ombros de Aminu e os dois “atletas” começaram uma perigosa corrida montanha abaixo. Eles ora mantinham o equilíbrio ora estavam prestes a tropeçar feio, mas no final o vitorioso foi Gauthak, pois perto de concluírem o percurso o monge, o carpinteiro e o cão-ninja despencaram vários metros e se machucaram com certa gravidade (exceto o velho cão ginasta-dançarino que se safou ileso), se afastando um pouco de Anya e Gauthak. Mas logo estavam reunidos novamente e seguiram pela trilha.

O caminho era estreito e escavado entre dois paredões rochosos. Avançaram por um longo tempo até que num certo momento Zabu, que ia à frente do grupo, pisou num dispositivo de pressão no chão que acionou uma armadilha - uma grande rocha redonda que descia rolando rapidamente às suas costas. Não havia espaço para tentarem evadir-se: só podiam arriscar um bom salto por cima do bólido. Aminu e Anya, que sofreriam primeiro o impacto, obtiveram sucesso em seus saltos, enquanto que Gauthak arriscou conter o avanço do objeto com as próprias mãos. No instante derradeiro, percebendo a reduzida chance de conseguir realizar a manobra que pretendia, o guerreiro tentou fazer uma “ponte” com seus poderosos braços para arremessar a rocha para longe, fazendo-a desajeitadamente e deixando Zabu numa situação difícil de escapar. Porém o carpinteiro estava atento e foi suficientemente ágil para desviar. Passado o perigo e desconfiados de que o caminho adiante esconderia novas armadilhas, optaram por escalar até um baixo platô e avançar por ele até visualizarem o acampamento, ideia que se mostrou muito boa e eficiente.

En Taro Adun!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Resumo da sessão de D&D 3.5 ocorrida sábado, 31.10.09.


Saudações cordiais, camaradas.

Ok, Diogo, eu precisava só de um feedback de que os textos estavam pelo menos sendo lidos, que não estava trabalhando em vão, afinal apenas eu estava postando para o blog nos últimos tempos. Aproveita que Lucas te deixou criar o terceiro goliath e "reabre" teu blog "O Anão Acrobata, Relatos de Campanha" (ainda que a atual campanha não se passe em Amestris).

Quando a situação melhorar pra você Lucas, incrementa o cenário.

Adentrando Ravina dos Trovões, Zabu viu que na extremidade oposta da rua um grupo de kobolds saltitava ao redor de uma grande figura feminina que também chegava à cidade: Anya! Incapaz de conter a emoção por finalmente reencontrá-la, o carpinteiro gritou o nome da irmã e correu em seu encontro, braços abertos, câmera lenta... até que, já prestes a abraçá-la, parou diante dela e com o indicador em riste começou a reclamar sem parar com a guerreira por sua irresponsabilidade e imaturidade. Zabu só notou que estava dando um vexame diante de toda a cidade quando o prefeito, ignorado, engrossou a voz e recaiu no clássico “Você sabe com quem está falando?”. Anya ficou quase o tempo todo ouvindo em silêncio as queixas do irmão, já que este não a deixava concluir nenhuma das explicações que tentou dar.
Quando Zabu se acalmou o prefeito começou a falar sobre os comentários que chegaram a seus ouvidos sobre o fracasso de Zabu, Chaldmyr e Miroundel em resolver o problema dos zumbis que atormentavam seus aliados kobolds. O carpinteiro admitiu que o fracasso da missão ocorreu porque eles permitiram que os monstros fugissem para as montanhas em vez de destruí-los. Porém o prefeito minimizou a importância do fato revelando que problemas maiores surgiram e que precisaria novamente dos serviços de Zabu como guerreiro. Enquanto conversavam, um grande ser encapuzado se aproximou discretamente (!?) do trio revelando interesse em saber o que estava acontecendo para ajudar no que pudesse. Ouviram atentamente e aceitaram realizar a nova tarefa, mesmo Zabu demonstrando muito relutância em continuar nessa perigosa vida, principalmente com sua irmã desmiolada a tiracolo. Mas Anya, com determinação nunca antes vista por seu irmão, disse que participaria de qualquer jeito da missão dada pelo prefeito e que se seu irmão quisesse zelar por ela teria que ir junto. Contrariado, o carpinteiro assentiu.
No saguão da prefeitura o trio foi apresentado a dois líderes da cidade élfica de Vialya, que procuravam por Zabu por sua boa reputação como combatente de magos. Eles seriam recompensados com 100 moedas de ouro se conseguissem recuperar a bolsa de itens do feiticeiro recentemente confrontado por Zabu, aquele mesmo que morava no porão da casa abandonada que os kobolds usavam como abrigo. Essa bolsa foi furtada por goblins da Tribo dos Chifres Sangrentos pouco antes de sua morte. Esta mesma tribo atacou um grupo de arqueólogos que procuravam a localização do túmulo da maga meio-elfa Anna Varee, objetivando recuperar alguns itens mágicos élficos que estavam em seu poder. Um dos líderes élficos ofereceu um adicional de 300 moedas de ouro por qualquer informação útil e comprovada da localização desse túmulo, que provavelmente lembraria uma área soterrada por um desmoronamento, causa da morte da maga.
Aminu Haminuh (o grande ser encapuzado citado anteriormente – um goliath de pele avermelhada com aspecto de pedra rachada que seguia o Caminho do Monge), Anya e Zabu partiram na manhã do dia seguinte numa carruagem que seguiu para o norte até as proximidades da montanha Ravina dos Trovões. Depois seguiriam a pé por quase duas horas até alcançar o sopé, mas desviaram para investigar um ruído de rochas sendo revolvidas à leste. Avançaram por mais de três horas até encontrar algo que talvez justificasse o barulho antes ouvido: um gigante das colinas, que tentava se esconder atrás de uma rocha menor que ele! Os herois e o gigante, tensos, ficaram se analisando e Zabu considerou contornar a área em vez de avançar diretamente, preocupado com sua irmã, a quem insistia em pedir que ficasse atrás dele para que pudesse protegê-la.
Certo da inevitabilidade do combate mesmo que tentassem contornar o local o monge investiu na direção do gigante, que arremessou uma rocha certeira no goliath. Anya não perdeu tempo e partiu pra cima do monstro, sendo seguida por Zabu. O carpinteiro ficou desesperado quando viu sua irmã ser derrubada no chão por uma ombrada dada pelo gigante, mas tal emoção alterou-se instantaneamente para o assombro quando seu queixo foi ao chão ao vê-la praticamente quicar e aproveitar o embalo para acertar um belo golpe na criatura. Infelizmente isso a transformou no alvo preferencial dos próximos ataques e com apenas duas pancadas Anya ficou severamente ferida. Zabu se posicionou entre ela e o monstro e sacou rapidamente seu odre com vinho de alta qualidade, arriscando barganhar pelo fim do combate, mas foi ignorado por completo. Nesse momento Aminu saltou sobre o gigante, imobilizando-o por tempo suficiente para que Zabu e Anya conseguissem fugir correndo. Quando eles já estavam em segurança o monge fez uma acrobacia para se afastar e correu em disparada na direção dos irmãos, sendo perseguido pelo gigante. Apavorados, entraram no primeiro buraco que viram no paredão rochoso da montanha, esperançosos de sumir da vista do monstro.
Foram bem sucedidos, ainda que o gigante tenha permanecido nas proximidades da entrada impedindo que o trio saísse de seu refúgio. A escuridão na caverna era total e Zabu quis acender uma tocha, ideia repudiada pelo goliath. O carpinteiro argumentou que pretendia avaliar as condições da caverna, pois temia um desmoronamento tal qual levou à morte a maga meio-elfa e também produzir iluminação suficiente para que ele pudesse prestar os primeiros-socorros em Anya e no próprio Aminu. Depois disso Zabu avançou alguns poucos metros dentro da caverna até que achou um declive instável que terminava num solo irregular formado por rochas que pareciam resultado de um desmoronamento. Ele imaginou que talvez fosse o local onde jazia Anna Varee. Certos de que a estrutura do local era firme, improvisaram uma fogueira e passaram a noite lá.
Pouco depois Aminu acordou surpreso: tal qual uma alucinação e sem qualquer explicação o trio não mais estava dentro duma caverna e sim no meio de um verdejante bosque. O monge viu que Zabu e Anya continuavam adormecidos. Na paisagem notou um estranho bólido cinzento que parecia inflar e desinflar e uma pequena criatura num lago pescando despreocupadamente. Após um período de adaptação a situação em que se encontravam e investigação discreta e cuidadosa, Aminu descobriu que a pequena era ninguém menos que Anna Varee, aparentemente presa ou revertida a um corpo infantil. Ela já havia perdido a noção do tempo em que estava naquele lugar e sempre que ficava contrariada o ambiente ao seu redor mudava para algo sombrio e violento, com nuvens cobrindo o céu de repente e fortes ventos soprando. O bólido era um grande dragão de bronze, o João Babão, que revelou ao grupo que todos, exceto ele, estavam presos num Plano de Existência: Anna Varee era tão poderosa que ao supostamente morrer vítima de um desmoronamento causado por gigantes criou um Plano feito de puro Sonho, que a muitos outros aventureiros aprisionou antes dos três. A maioria morreu naquele lugar não por fome ou sede, mas por terem irritado de algum modo a criança. Apenas aqueles que conseguiram convencê-la de que lutavam contra gigantes tiveram sucesso em voltar para seus planos de origem.
Entretanto João Babão não revelou essa preciosa informação de graça: por gostar muito da meio-elfa e desejar libertá-la dessa prisão onírica, ele exigiu que resgatassem o corpo de Anna dos escombros do desmoronamento, pois apesar dessa condição letal seu extraordinário poder mágico a manteve viva por todo esse tempo. Zabu foi selecionado como alvo de um encantamento de compulsão conjurado pelo dragão que o obrigaria a direcionar toda sua atenção a missão de resgatar o corpo de Anna Varee de sua prisão de rochas. Ao pedir a Anna que os enviasse de volta a Mystara para combater os gigantes que ameaçavam Karameikos, foram teletransportados à mesma caverna onde haviam se refugiado do gigante, descansados e com seus ferimentos totalmente curados.
Reanalisando os escombros que agora tinha certeza estar sobre o corpo da maga Zabu constatou que levaria mais de um mês para que todo entulho fosse removido pelos três. Seria necessário providenciar equipamento adequado e mais pessoas para a tarefa. E Aminu verificou que o gigante não mais estava nas redondezas - poderiam recomeçar sua busca pelos goblins da Tribo dos Chifres Sangrentos.

En Taro Adun!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Resumo da sessão de D&D 3.5 ocorrida sábado, 24.10.09


Saudações cordiais, camaradas.

Mais uma vez, Lucas, agradeceria se você pudesse enriquecer a campanha com informações adicionais.

Por volta da meia-noite, quando o trio caminhava em direção a Vialya, a cidade dos elfos, conduzindo Klaus para ser julgado por sua conspiração, Miroundel lembrou a Zabu e Chaldmyr (cuja raça permanecia desconhecida) que humanos não eram bem vindos na cidade. Querendo evitar confusão desnecessária, Zabu se despediu de seus companheiros e disse que retornaria para Ravina dos Trovões para reportar ao prefeito seus feitos e aguardaria por eles por até dois dias, quando então continuaria a busca por sua irmã. Nas proximidades da caverna dos goblins anteriormente ignorada por eles, Zabu resolveu investigar se Anya estaria naquele local ou talvez passado recentemente por lá. Na entrada parcamente iluminada pela luz de sua tocha, sem ouvir nada vindo do interior, Zabu berrou a plenos pulmões: “ANYAAA!!!” que ecoou por vários segundos.
Depois de alguns momentos ouvindo ao longe uma mistura de sons de passos e vozes baixas, obteve como resposta um “Foi embora”, falado por um goblin oculto nas trevas. Esperançoso, Zabu insistiu dizendo que não queria confusão, só desejava saber em que direção ela havia ido. Como não mais recebeu respostas, decidiu pegar seu cavalo e retornar à Ravina dos Trovões. Prestes a partir surgiram dois goblins na entrada da caverna, um deles armado com uma azagaia pronta para ser arremessada. Zabu arriscou mais uma vez perguntar por sua irmã, reforçando que não queria confusão. E ainda que estivesse com o escudo erguido, completamente na defensiva, o goblin conseguiu acertar a azagaia em cheio no seu ombro. Percebendo que não teria qualquer colaboração saiu em disparada pela trilha, ouvindo o escárnio dos goblins em relação a sua covardia diante da Tribo da Flecha Quebrada. Arquibaldo, é claro, o acompanhou.
Por aquela trilha em aproximadamente meia hora Zabu chegaria à cidade. Mas “no meio do caminho tinha uma pedra”, ops!, uma doninha, que resolveu simplesmente cruzar a trilha de um lado a outro despreocupada. O guerreiro também seguia tranquilo, até que uma grande coruja gigante surgiu vinda do céu em sua direção! Ele se encolheu junto ao cavalo e então percebeu que a grande ave estava tentando capturar a doninha, que muito esperta correu para baixo do cavalo na esperança de se proteger da predadora. Começou um balé: o carpinteiro e seu cavalo “sapateando” na tentativa de sair de cima da doninha, que cada vez melhor se refugiava sob o quadrúpede, enquanto a coruja parecia reavaliar se o cavalo não seria melhor refeição! Zabu desceu do cavalo e atacou a ave, que inicialmente pareceu ficar intimidada com o ferimento que sofreu. O cavalo partiu em disparada para longe, Arquibaldo tinha sumido da vista e a coruja parecia ter esquecido completamente de seu alvo original. Zabu não estava com sorte, e recebeu severos ferimentos. Então decidiu se embrenhar numa mata cerrada que margeava a trilha, conseguindo impedir que a coruja gigante continuasse seus ataques. Descansou e usou algumas das bandagens de seu kit de primeiros socorros e ficou contente de rever seu velho amigo canino, que havia se refugiado na mata durante o combate.
Avançando por dentro da mata acompanhando visualmente a trilha em direção a Ravina dos Trovões, Zabu chegou a um rio de forte correnteza e pelo menos uns quinze metros de distância até a margem oposta. Como a trilha terminava ali, estudou os rastros de seu cavalo para saber que direção ele tomara. Notou que ele seguira para uma ponte de madeira próxima. Lá chegando viu seu cavalo partir em disparada novamente. Mas havia motivo: a mesma coruja gigante voltou a atacar! Desta vez não havia uma mata próxima o suficiente para Zabu se abrigar, então mesmo carregando muito peso e sem saber nadar ele mergulhou no rio, segurando-se à ponte de madeira e afundando na água a cabeça sempre que percebia a coruja atacando. Mas pelo visto a ave gostou muito do sabor do sangue dele, insistiu tanto que acabou içando-o com suas garras poderosas para se banquetear.
Eis que o corajoso e velho vira-lata Arquibaldo, numa demonstração única de verdadeira amizade, fez um último esforço tentando atacar a coruja, mas “calculou” mal o salto e acabou caindo no frio e caudaloso rio.
Vendo a agonia de seu querido amigo ao ser arrastado para longe e lembrando-se de sua principal motivação para ter chegado até aqui, Zabu começou a se debater e ferir as patas da predadora com sua adaga. Farta de tantas injúrias, a ave largou sua presa de uma altura de mais de 20 metros. Em pânico, Zabu instintivamente conseguiu alinhar seu corpo de forma a sofrer o mínimo de dano quando atingiu as águas frias do rio. Afundando rapidamente, ele se livrou de tudo que carregava para lutar por sua vida. Cada segundo que passava era um teste de resistência ao frio e ao forte impacto contra as rochas no percurso. A morte por exaustão estava a um fio de navalha de seu pescoço. Então, por vontade dos deuses ou simplesmente pelo mais absoluto lance de sorte, no último resquício de fôlego que possuía Zabu alcançou a margem do rio. E desmaiou.
Sol a pino do dia seguinte, ainda deitado à margem do rio, um halfling buchudo o acorda. Incrédulo mas extremamente feliz por estar vivo, Zabu dança com o pequeno e grita agradecendo aos deuses por ter sobrevivido. Jay, o halfling que Zabu descobriu posteriormente ser um comerciante de ervas, questiona o que aconteceu e como chegou até ali. Ainda que desconfiado com a história contada pelo guerreiro, Jay oferece estadia em sua casa para que ele restabeleça suas forças. No caminho até o local Jay contou que Arquibaldo estava a salvo e sugeriu que nunca mais ele se aventurasse por aquela região a noite, por ser muito perigoso.
O rico e bem sucedido comerciante morava numa “toca” encravada na montanha e construída com maestria, possuindo vários cômodos. Ao descobrir que Zabu era um carpinteiro revelou já ter sido um grande artesão em madeira na juventude. Desejoso de agradecer por todo o apoio que estava recebendo, Zabu ofereceu-se para esculpir uma imagem do comerciante. Jay pediu aos empregados que providenciassem toras de madeira para que ele trabalhasse. Concluiu o trabalho naquela mesma tarde admitindo, porém, estar insatisfeito com o resultado, pois a escultura ainda não exaltava a essência de seu mais novo amigo. Sentindo-se desafiado por seu próprio fracasso, o carpinteiro disse que trabalharia sem descanso do final da noite até o raiar do dia seguinte se necessário, mas esculpiria uma verdadeira obra-prima, cuja essência e personalidade do halfling pudessem ser percebidas até pelo mais tolo dos kobolds. Porém o ferimento ainda aberto no ombro e a preocupação com a irmã afetaram sua habilidade, e foram necessárias três tentativas para que alcançasse a qualidade que buscava. Com os olhos vidrados e o corpo exausto, desmaiou ao ver os primeiros raios de sol.
Uma serviçal de Jay o conduziu até um aposento dimensionado para o tamanho humano onde pode descansar até o final da tarde. Quando reencontrou seu anfitrião teve a alegria de ver que seu amigo havia apreciado seu trabalho e combinaram que isso ainda não seria suficiente para recompensar o halfling pela ajuda. Quando precisasse de qualquer coisa bastaria Jay procurá-lo em Rock Seed. Na manhã seguinte Zabu retornou a Ravina dos Trovões, presenteado com um equipamento básico para aventuras e um kit de carpintaria encantado, que ele supôs ter sido usado pelo halfling em sua juventude.

En Taro Adun!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Resumo da sessão de D&D 3.5 ocorrida sábado, 26.09.09

Saudações cordiais, camaradas.
Como prometi, fiz um resumo da aventura de D&D mestrada por Lucas.
Espero que isso estimule os outros jogadores a participarem, se puderem, e a Lucas para enriquecer os detalhes e corrigir erros de interpretação de minha parte. Sabe, se tu fizer isso Lucas, vai me deixar mais entusiasmado pois saberei que não vou estar fazendo papel de besta. Sem ofensas!
A campanha, e consequentemente a história, começa com a chegada de Zabu à cidade de Ravina dos Trovões, seguindo os rastros inequívocos deixados por sua irmã, a quem procura há algumas semanas. Era meio-dia quando entrou na Taverna do Pônei Saltitante, pediu uma refeição de pato ensopado e perguntou ao taverneiro e aos outros freqüentadores acerca do paradeiro de uma mulher grande e jovem de cabelos negros. Sim, ela havia passado pela cidade, mas logo seguiu viagem para além das montanhas que deram nome ao local. Zabu soube também que quase toda a população local deixou a cidade recentemente após ser contratada para escoltar uma grande caravana.
Durante o almoço o prefeito da cidade apareceu na taverna e clamou por heróis que pudessem ajudá-lo numa tarefa: uma comunidade aliada próxima da cidade estava tendo problemas com mortos-vivos e pediu ao governante que resolvesse o problema. Mais inoportuno e esquivo que o desejável para quem pede um favor, as informações dadas pelo prefeito demoraram a revelar que os ditos aliados eram kobolds e os mortos-vivos pareciam ser zumbis. Enquanto Zabu conversava com o prefeito, aproximaram-se para ouvir e demonstrar interesse em ajudar três desconhecidos: o misterioso clérigo Chaldmyr Aers, o ranger élfico Miroundel e o mago élfico Klaus. Com o compromisso firmado, a missão do grupo era localizar uma casa abandonada que servia de abrigo a alguns kobolds, destruir os mortos-vivos que assolavam o local e zelar pela vida dos kobolds da região, por serem aliados da cidade. O prefeito cedeu 10 moedas de platina para custear o equipamento que os herois precisassem comprar ou repor na cidade. Sem muita demora eles partiram.
Em meia hora alcançaram o sopé das montanhas. Lá escaparam por pouco de uma emboscada armada por goblins, que foram rapidamente subjugados. Porque os goblins tentaram, sem sucesso, se refugiar numa caverna, os aventureiros optaram por avaliar os possíveis perigos a que estariam expostos se investigassem o local por meio de rastreio e do interrogatório de um goblin sobrevivente (porém inconsciente) que foi amarrado e feito prisioneiro. Após alguns minutos, decidiram retornar ao rumo original, avançando em direção a casa abandonada (o local era conhecido por Miroundel). Em menos de uma hora os aventureiros avistaram a casa, que estava cercada por seis zumbis de kobolds. Eles pareciam agir ao acaso, como se não seguissem ordens de seu criador. Usando o poder de sua fé, Chaldmyr conseguiu obter o controle das pequenas criaturas. A casa, Zabu percebeu, possuía uma arquitetura muito apreciada por magos e outras pessoas que utilizam magias arcanas. A porta estava fechada, mas talvez não trancada. Chaldmyr pediu que Klaus ajudasse a resolver isso, e para tanto ele invocou uma grande mão de energia que surgiu do solo e investiu contra a porta, destruindo-a e a toda parede ao redor!
Furtivamente olharam para dentro da casa. Imponente e sem esboçar qualquer reação havia um zumbi de kobold, com pelos menos 3 metros de altura, no salão principal. Chaldmyr enviou os zumbis que controlava para perto do maior e eles foram ignorados, sendo apenas observados com um movimento de cabeça pelo maior. O clérigo então usou mais uma vez o poder de sua fé e passou a controlar também o grande zumbi de kobold. Os aventureiros começaram a investigar a casa abandonada, onde encontrou “muito lixo de estimação” da comunidade de kobolds que a habitava. Após recolher alguns objetos que acreditaram ser úteis para entender o que se passava, Chaldmyr alertou que o controle sobre os monstros estava para acabar, e pediu que o grupo partisse do local.
Mas Zabu pensou diferente. Argumentando que a missão do grupo era destruir a ameaça representada pelos zumbis, ele avançou sozinho para dentro da casa e tentou se posicionar onde pudesse atacar o zumbi gigante sem ser alcançado por seus ataques. Infelizmente não havia local adequado para essa tática, e logo ele se viu cercado por todos os sete zumbis. Atacando furiosamente um dos pequenos viu que seu ataque, ainda que poderoso, não surtiu efeito contra a criatura. Além disso, os pequenos monstros eram muito rápidos e ferozes, começando uma perseguição implacável. Desesperado, Zabu subiu até o andar superior do edifício e tentou fugir descendo por uma corda presa à janela, obtendo sucesso. Subiu em seu cavalo e fugiu com o resto do grupo para longe, contando a eles que as criaturas eram rápidas e invulneráveis a armas normais.
Por volta das 18h, pararam para descansar e comer. Chaldmyr realizaria suas preces diárias, mas antes disso seguiu o conselho de Zabu de restaurar as forças do goblin que havia sido feito prisioneiro para que pudessem interrogá-lo. Com o goblin agora consciente, Chaldmyr utilizou métodos nada convencionais de tortura psicológica para que a pequena criatura revelasse tudo que sabia sobre os zumbis e a caverna onde ele pretendia se refugiar quando emboscou o grupo. Revelou sobre os zumbis que há um aposento secreto na casa, e sobre a caverna que ela era o covil do goblin e sua família, que possui “mais de dois” membros e um bichinho de estimação chamado “Fufu”. Fufu parece uma grande geléia transparente que é muito querido por todos por ter comido uns primos e irmão chatos da família.
Após as preces de Chaldmyr e um plano de ação (controlar os zumbis e mandá-los para longe da casa para que o grupo pudesse investigá-la e localizar esse aposento secreto), assim foi feito quando retornaram à casa. A diferença é que Chaldmyr preferiu manter os zumbis menores por perto temporariamente e enviou o grande na direção das montanhas. Aproveitou para testar se os zumbis poderiam ferir uns aos outros (fato que se mostrou verdadeiro). No salão principal da casa havia pelo menos três mobílias que chamavam a atenção: um sofá, um relógio de pêndulo e uma estante de livros. Arrastando a estante, notaram que ele ocultava um alçapão de madeira, trancado com um cadeado de ótima qualidade. Como os aventureiros não conseguiram encontrar a chave, Zabu sacou seu serrote de carpintaria e começou a serrar o alçapão! Chaldmyr alertou que o controle que possuía dos zumbis estava para acabar. Após alguns preciosos segundos Zabu concluiu o serviço, apenas para ver, no fundo do porão, um dedo faiscante em riste apontado para ele e pronto para descarregar um encanto! O tiro foi certeiro. Zabu caiu para o lado convulsionando devido ao choque elétrico que sofreu. Rapidamente Miroundel se posicionou de forma a atacar o feiticeiro com suas flechas. Enquanto isso, Chaldmyr reforçou seu comando sobre os zumbis e os enviou para um ataque maciço contra o inimigo. E Klaus mais uma vez conjurou uma enorme mão energética, que desta vez agarrou o feiticeiro inimigo e o projetou do porão para o salão principal da casa. Chaldmyr identificou a magia como sendo “A mão Poderosa de Bigby” e sem perda de tempo aproveitou para invocar uma serpente constritora abissal que deteve os movimentos do feiticeiro. Num lance de perspicácia incomum para um guerreiro, Zabu pegou um pacote de provisões e meteu na boca do inimigo de forma que agora ele estava praticamente impossibilitado de conjurar suas magias. Não suportando tantas injúrias, o feiticeiro tombou rapidamente.
Eis que um alucinado Klaus se revela, saltando sobre o inimigo e buscando freneticamente por alguma coisa em seu corpo. Em júbilo, ele ergue um medalhão que é rapidamente reconhecido por Chaldmyr como o símbolo sagrado de Erythnul, o Deus da Matança. Percebendo que ele estava fora de si, os aventureiros investem contra ele na tentativa de imobilizá-lo e tirar o medalhão de seu poder. As mesmas estratégias que se mostraram eficientes com o feiticeiro são utilizadas: Miroundel o segura pelos braços, Chaldmyr invoca outra serpente constritora abissal e Zabu tenta tapar a boca do infeliz com mesmo naco de provisão usado antes. Sucesso mais que completo: Klaus desmaia diante de tamanha pressão e é subjugado sem ser morto.
A aventura termina com os aventureiros descobrindo que o porão da casa abandonada era um laboratório e câmara de estudos necromânticos do feiticeiro abatido, bem como um provável altar de adorações a Erythnul. Inúmeros grimórios, poções, livros e anotações pessoais descrevem a rotina do arcanista e parte dos mistérios que os aventureiros deverão se envolver mais adiante.
Também percebem que criaram mais problemas para a região ao enviar o kobold zumbi gigante para as montanhas – eles terão que reparar seu erro.
A última cena foi de discussão entre eles quanto ao destino de Klaus: Chaldmyr queria matá-lo a sangue frio agora que ele estava indefeso, argumentando que sendo ele muito poderoso logo passaria a caçá-los por ter frustrado seus planos, enquanto que Zabu e Miroundel queriam levá-lo à cidade élfica para ser julgado por seus atos. Pela vontade da maioria, Klaus está sendo levado à justiça. Chaldmyr espera que suas suspeitas logo se concretizem, para que possa jogar na cara de seus companheiros a estupidez de sua decisão.

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