quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Saudades do Barão de Münchausen



Venho aqui colocar um post em homenagem à um amigo de quem sempre lembro no carnaval (vinho e mulheres, sempre me lembram ele): O Barão de Münchausen, falecido em 1797. Conheci ele num bar na França, e simpatizei com o sujeito de cara, pois ele concordava comigo que todo francês ou era um paneleiro rude ou um rude paneleiro. Desde que joguei pela primeira vez o jogo do Barão, uma década atrás quando ainda não havia sido traduzido para línguas bárbaras dos trópicos, sempre que sinto cheiro de vinho lembro-me dessas coisas e da bela Rosalva... Ah, Rosalva.

Mas digresso. O objetivo da presente missiva é apresentar o belíssimo jogo criado pelo Barão por solicitação de um editor bretão (e por conseguinte alcoólatra) por volta de 1800 (ainda me assombra a quantidade de obras escritas postumamente pelo Barão), mas que apenas agora veio parar em minhas mãos através de uma editora mixuruca chamada Devir, possivelmente gerida por franceses.


Autores modernos classificam este jogo como RPG sem Dados, mas eu sempre aceitarei que é um jogo para cavalheiros de alta estirpe (com no mínimo um título de Sir vindo de uma coroa que não seja a britânica, eles concedem títulos a qualquer renegado francês) em noites chuvosas e entediantes, onde o vinho é morno e as raparigas frias. Apresento aqui uma variação testada por mim em momentos de tédio acadêmico.

No início do jogo, os cavalheiros se sentam em círculo, cada qual com uma bolsa de moedas de igual valor. Então o cavalheiro menos educado da mesa, possivelmente o último a se inserir no brinde de abertura, desafia o homem a sua direita: "Conte-nos, diletíssimo Conde de Potocasshussets, sobre aquela vez que enfrestastes todo o exército de alcoolátras irlandeses armado apenas com um chapéu, apenas para entregar a filha do Duque o desenho de uma girafa que ela tanto queria".

O ilustre Conde de Potocasshussets pode agora tem duas opções - recusar a contar a história, e retucar com um belíssimo "Estás ébrio, Arquiduque da Elfolândia, esta história se passava na África Setentrional e foi protagonizada pelo Conde de Montesquideu!", pagando então uma moeda ao cavalheiro que lhe sugeriu a história - ou aceitar e iniciar a narrativa. Ele será, até sua história acabar, chamado de narrador.

Gaguejar e hesitar não são opções. Pensar demais só provará que o jogador é um covarde mentiroso, e caso isso aconteça ele deve fornecer todas as suas moedas ao que lhe sugeriu a história e depois se retirar em desgraça, possivelmente se mudando para o sul da França onde vivem os outros sem estirpe.

A narrativa deve ser curta e envolvente, durando no máximo 3 ciclos do ponteiro dos segundos. A qualquer momento, um outro jogador pode colocar uma moeda a frente e solicitar a interrupção da história. Caso mais da metade dos jogadores fizer isso, o narrador deve parar a história, e os jogadores que adiantaram suas moedas as recebem de volta. Caso menos da metade o faça, o narrador embolsa as moedas ao fim da história.

A qualquer momento um jogador pode realizar uma interrupção na história de outro, por exemplo: "Mas Sir Hackalot, a imperatriz do Canadá jamais aceitaria ornintorrincos como suborno - o cachorro dela foi devorado por ornintorrincos quando ela era criança!". Para realizar uma interrupção, basta adiantar uma moeda e interromper, quanto mais repentino melhor. Novamente, o narrador tem duas opções e uma saída vergonhosa.

O narrador pode aceitar a interrupção e receber a moeda ou recusar e validar sua recusa: "Tolo! Após semanas tórridas de amor sobre camas de couro de ornintorrinco numa praia do Japão, claro que a imperatriz havia superado seu medo! Quando voltamos ao Canadá em nossos cavalos a vapor, ela estava amorosamente inclinada a aceitar os ornintorrincos como suborno". O narrador então recusa a moeda e ainda fornece outra como validação. O cavalheiro que interrompeu pode então retrucar (fornecendo outra moeda) e o narrador pode-se recusar enquanto ambos tiverem moedas.

Se a disputa de interrupções e recusa perdurar muito ou algum deles ficar sem moedas, os dois podem partir para um duelo, e pelo Dragão de Tyr, eles devem partir para o duelo. O caro Barão recomenda duelos de espada ao primeiro raio do sol, eu prefiro disputas de Jiu-Jitsu sobre paralelepípedos, mas na falta de paralelepípedos, machados ou se faltarem muitas horas até o primeiro raio de sol, pode-se improvisar com pedra papel e tesoura. Mas não deixe as mulheres saberem, senão cairás em desgraça e terás de fugir para Irlanda (ou França) e viver como um rude efeminado (ou efeminado rude).

Após todos terem contado suas histórias, cada jogador que ainda tem moedas em sua bolsa oferece sua bolsa a história que considera a melhor (um cavalheiro não pode considerar a própria história a melhor, é claro - apenas orientais pagãos fazem isso), e ao fim das ofertas, o jogador com a melhor história vence.

As regras são estas, mas eu sempre preferi acrescentar: "E o vencedor deve usar as moedas que ganhou para reabastecer os copos de vinho".

Ces't Finite, Mon Ami.

PS - Idéias para histórias:
1 - Como vós e três coelhinhos felpudos fizeram um cerco de três meses à Constantinopla.
2 - Como o nobre Barão descobriu por acidente a nascente do Rio Nilo.
3 - Como foste fundamental na fuga da princesa Diana para a Arábia.
4 - A viagem que o Colosso de Rhodes fez a pé apenas para congratulá-lo após a bem-sucedida invasão da China.

PS2 - Insultar bárbaros e efeminados (como os franceses) conta pontos em qualquer história. Para fins de discussão, qualquer um que não esteja na mesa é um bárbaro ou efeminado, possivelmente ambos.

PS3 - Lacrimejo de emoção ao lembrar do dia em que eu e o Barão derrotamos um ouriço atroz virando-o pelo avesso!

12 comentários:

Careca disse...

Melhor sistema e cenário EVER

Renato Dantas disse...

Muito massa esse jogo, joguei só uma vez, mas devido ao álcool só consigo me lembrar que mencionei "orangutangos ovíparos da tazmânia" em algum ponto da minha história =P

Anão Picareta disse...

Lucas tô montando um novo blog, e gostaria de saber se voce se importa se eu copiar as transcrições que fiz dos meus PCs, tanto de BAck como de aventuras?

Meu Nome É Tonho disse...

Copia lá, ué!

Foi tu que fez, não eu :P

Anão Picareta disse...

Valeu! Depois que eu preparar eu mando o link.

Vou manter 2 blogs a principio: 1 de baboserias RPGisticas - o atual - e o segundo mais sério sobre cenário de campanha e personagens. Talvez abra um terceiro sobre histórias e contos - se eu tiver tempo e saco :P

Meu Nome É Tonho disse...

É, possivelmente farei isso.

Quando eu criei o blog, pensava em colocar somente elementos dos cenários, uma parte por mês ou algo assim.

Abri pra os jogadores pra não ter trabalho de inserir as atualizações que a campanha gerava sobre o cenário (que eu esperava que fossem maiores) achando que ia ter um ou outro post mas vocês tomaram conta do blog!!!

Anão Picareta disse...

kkkkk como se tu não gostasse!!! Facilitou tua vida e ainda te deu fama!!!! KKKKKK

:P:P:P:P

Meu Nome É Tonho disse...

E pra quê eu quero fama?

Eu quero suplementos de 4e de graça, isso sim!

(por sinal, se alguém tiver link pros pdf, pode passar)

E tá foda achar qualquer elemento do cenário no meio desse caos completo e total.

Anão Picareta disse...

Tu não foi Design??? Organiza a joça kct!!!!!

Tou só com TODO o material já lançado da 4.ed e todo da 3.5 ed :P

Meu Nome É Tonho disse...

E a preguiça, fica onde?

E me aposentei da vida de prostitut... digo, Designer.

Agora sou Professor Prostitut... digo, Professor Substituto.

Essa gagueira tá flórida.

Anão Picareta disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!

Oa o msn..... ;)

Anão Picareta disse...

PS: desenrola um XP bom que eu levo um DVD completo de 4ed....

:P

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