quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fragmentos de um Diário II

(Observação relevante: as informações a seguir seriam o mais próximo que constaria no diário de Anaximandrus caso ele sobrevivesse aos eventos na caverna oculta).

“Abençoada, mais um dia me concedes para honrá-la com cada fibra de meu ser. Permita-me agradecê-la com minha devoção”
(oração a Yondalla ao despertar pela manhã)

Extraído do diário de Anaximandrus

Quinta-feira, 05 de novembro de 1158.

A manhã não fugiu muito da rotina. Fiquei boa parte do tempo aguardando pelos meus novos compadres, mas eles não apareceram. Comecei então a fazer o habitual quando numa cidade desconhecida: perguntei por organizações, pessoas ou entidades que cuidam dos necessitados e desvalidos, tendo como objetivo prestar assistência no preparo das refeições, uma vez que esta é minha forma de entrar em comunhão com minha deusa e solicitar o seu apoio na forma de magias recuperadas. Enquanto cozinho, canto e oro a Yondalla, declamando versos ritualísticos, seguindo padrões cerimoniais e exaltando os grandes feitos dos heróis e pessoas comuns que em inúmeros momentos da História uniram forças em prol do Bem e da Ordem da comunidade.

Após algumas orientações procurei por um dos pouquíssimos lugares que parecem prezar pelos mais necessitados: um templo a Corellon Larethian, divindade criadora e protetora élfica e tão merecedora de respeito quanto a Abençoada, aberto aos devotos há cerca de um mês na cidade. Lá encontrei o sacerdote responsável e também um arqueiro elfo, com típicos trejeitos de um rastreador. Os dois conversaram sobre um halfling que havia saído da cidade no final da noite anterior e não retornara, e por algum motivo esse clérigo o queria resgatar. Naturalmente acompanhei e ajudei o rastreador, chamado Legolas, como possível.

Encontramos o halfling nas cercanias da saída da cidade e, para minha total surpresa, era ninguém menos que Malak Torin, e ele não lembrava de mim! Não demandou tempo para eu perceber que embora fisicamente bem (Nota: e usando uma bandagem muito bem feita na cabeça) parte de seu juízo havia sido perdido (Nota: seria este sintoma similar ao apresentado pelo prefeito da cidade?). Daí retornamos os três ao templo de Corellon Larethian. Despreocupado quanto ao meu camarada demente, passei então a cuidar de meus ritos na cozinha emprestada pelo sacerdote. Omessa, não me perdoo por tamanho desleixo! Minha displicência permitiu que Malak provocasse confusão para rivalizar com os piores bufões!

Solicitei ao sacerdote que enviasse seus acólitos atrás das pessoas mais carentes e necessitadas que encontrassem pela cidade, oferecendo a elas a oportunidade de terem uma bela refeição naquela tarde. Aos poucos os desvalidos foram chegando, quase todos de maneira tímida e desconfiada (Nota: alguns disseram nunca ter visto gesto similar antes, outros comentaram que a comida deveria estar envenenada, que os nobres a distribuíam para que eles comessem e morressem em agonia depois. Isso é revelador). Minutos depois revi Meriadoc e Konan, que se aproximavam junto a Legolas e um humano idoso, maltrapilho e trôpego. Meriadoc me contou que o velho era aquele bêbado a quem esperavam encontrar ao meio-dia na saída da pequena prisão, com o objetivo de interrogá-lo e obter informações importantes que ele adquiriu quando era zelador do forte-prisão. Concentrado em minhas tarefas para com os desvalidos, não acompanhei com atenção os eventos que se seguiram, mas sem dúvida faço boa idéia pelos relatos posteriores.

Malak surtou. Começou a falar coisas sem sentido, ora para si mesmo, ora para o grupo, e a disparar flechas em insetos imaginários que “voavam” pelo templo. Conseguiu furtar o arco e algumas flechas do rastreador e o seguiu até uma taverna em que este compraria uísque (Nota: exigência do ancião bêbado para falar alguma coisa). Na taverna ocorreu algum tipo de confusão, provocada por Malak, que resultou em sérios ferimentos a Legolas, uma garrafa de uísque e um pau atroz nas mãos de Malak como espólio. (Nota: espero que Malak pare de incomodar o jovem príncipe élfico, ou terei que tomar uma atitude mais drástica. Ele tem se mostrado um risco tanto para os membros do grupo quanto para si mesmo. Oh, gloriosa Mãe, foi com certo pesar que assumi a responsabilidade por ele, mas esta é parte de minha obrigação como sacerdote. Que eu saia vitorioso desta provação e mereça sua generosa atenção!).

Concluído o almoço comunitário, reunimo-nos para obter as informações do velho bêbado. Este se revelou sagaz em suas negociações, como se fosse acostumado a ser escorregadio, e logo os mais exaltados de meus companheiros começaram a ameaça-lo. Obviamente intervi, dizendo que não permitiria que o ancião fosse molestado. Sugeri que eles me contassem direito a história e exatamente quais informações desejavam obter. Feito isso, conversei de início reservadamente com o velho e usando de muita diplomacia consegui que ele revelasse quase tudo que sabia. (Nota: estranhamente ele tinha breves crises de pânico sempre que questionado sobre uma “sombra” que habitava o terceiro pavilhão do forte-prisão). Infelizmente chegou um momento em que ele passou a se sentir muito pressionado, ou aterrorizado, e se fechou em seu mundo. Levei-o a um aposento tranqüilo e o deixei descansar.

Reportei ao grupo o que consegui extrair e ficamos a decidir que rumo tomar. Meriadoc queria repassar a lorde Bilbo as informações que tínhamos ainda hoje, já que eram umas 16h. Konan, achou mais seguro aguardar até o dia seguinte para avançar e Legolas, já recuperado dos ferimentos por um encantamento do clérigo do templo, sugeriu investigar na noite de hoje a entrada secreta do forte-prisão.

Quanto a Malak...

Eis uma questão que foi de difícil resolução para mim. Todos queriam impedir Malak de seguir junto ao grupo enquanto ele estivesse neste estado de demência. O bom-senso ditava isso. Mas resolvi dar uma oportunidade ao irmão: no papel de “juiz de mentes” eu iria avaliá-lo e decidir por sua contenção ou não enquanto não encontrássemos uma cura para seu problema (Nota: Meriadoc me disse que estudou os ferimentos na cabeça de Malak e identificou que apenas um sacerdote de relativa proximidade com a divindade poderia fazer algo por ele. Não há ninguém na cidade que esteja próximo de seu deus o suficiente para isso). Foi arriscado e arrogante de minha parte assumir tal papel, mas considerei importante fazê-lo. Dessa forma, avaliei que Malak poderia permanecer junto ao grupo em nossa missão e que eu seria responsável por contê-lo caso ele voltasse a surtar.

Partimos então em direção ao forte-prisão, onde tentaríamos localizar esta passagem secreta no muro sul. Tentamos avançar furtivamente, mas acabamos sendo detectados por sentinelas. Felizmente, quem diria, justamente Malak salvou-nos de maiores complicações conseguindo convencer o guarda a nos deixar em paz.

Seguindo as orientações do ancião bêbado, descobrimos de fato uma entrada secreta que nos levaria aos três níveis das masmorras do forte. Para nós do povo pequeno, atravessar esta estreita passagem foi relativamente fácil. Porém qual não foi minha surpresa quando presenciei Legolas, com um corpo de proporções muito maiores que as nossas, esgueirar-se pela fenda com a graça de um contorcionista circense! Fiquei estupefato, ainda que nada tenha comentado.

O acesso descendente assemelhava-se a uma escadaria instável, como que feita de cascalho. Impetuoso, Malak tomou a dianteira e começou a descer antes que pudéssemos planejar direito nosso avanço. Segui atrás dele para impedir que se desgarrasse do grupo e perambulasse sozinho. Ao menos tomamos o cuidado de seguirmos amarrados a uma corda, que seria o elo entre todos, e tendo Legolas como suporte principal, por ser ele o maior e mais pesado de nós. A precaução não se mostrou suficiente: um a um fomos tragados para o interior escuro e desconhecido quando Malak escorregou e puxou a todos para baixo. Minha queda foi veloz e senti a morte se aproximando, tudo que poderia fazer era tentar reduzir o impacto posicionando meu escudo sobre a cabeça e realizar uma última oração. Funcionou, de certa forma: o impacto foi super leve, ainda que úmido e grudento. Tarde demais percebi que adentrei no corpo transparente e corrosivo de um cubo gelatinoso! (Nota: nome utilizado por Meriadoc para identificar a criatura. Nunca havia ouvido falar). Enquanto lutava para evitar uma morte terrível, percebi meus compadres me puxando pela corda e também tentando se esquivar da criatura que avançava destemida.

Meriadoc, reconhecendo a criatura, gritou que ela era vulnerável a fogo. Começamos então uma valsa mortal, em que tentávamos ao mesmo tempo fugir e atacar a criatura. Já no limite de nossas forças, triunfamos!

Agora, é tempo de encostar-se a uma parede, respirar fundo e curar as feridas. Sem deixar de louvar a Yondalla pela vitória e pela vida!

OBS: lembro que não seria possível descrever os eventos vividos por Malak na festa e na floresta porque esses foram esquecidos!

7 comentários:

Pele-de-Escama disse...

Saudações cordiais uma vez mais, camaradas. Finalmente consegui resolver o problema, agradeço a ajuda.
Espero que tenham gostado da forma como Anaximandrus registra seus dias de aventuras, e concordem com a descrição dos eventos. Até breve.

Anão Picareta disse...

Só uma obervação: não foi Malak quem derrubou a todos (a corda nele se rompeu lembra?!). Ele desequilibrou caiu, mas NÃO levou o grupo!

PS: eu lembro que não posso citar os eventos da floresta, ainda estou bolando como vou fazer a descrição de todo o ocorrido...

AH, essa tb merece 600XP tá muito boa!!!
O que tu poderia fazer é dizer que o clerigo leva consigo o Diário para realizar consultas a referencias escritas (como se fosse um misto de agenda com cardeno de lembretes).

Pele-de-Escama disse...

Valeu, Diogo, e peço desculpas pelo deslize: Anaximandrus falhou no teste de percepção nesse momento e acabou julgando errado quem provocou toda a confusão!

P.S: na verdade, relembrando o fato, notei que o culpado da queda foi o próprio Anaximandrus, que falhou no teste de destreza (ou foi reflexos/ equilíbrio?) e arrastou a todos. Ele esqueceu de tomar o "simancol" pela manhã.

Pele-de-Escama disse...

Quanto a sugestão de Anaximandrus carregar o diário com ele, é mesmo muito boa, eu não tinha pensado dessa forma mais utilitária. Ele seria algo de valor simbólico, como um bem a ser preservado de eventuais danos.

Mas não descarto a possibildade de fazer algo similar quando ele for avançando na campanha. A sabedoria que ele adquirirá com a experiência poderá levá-lo a conjecturar escrever livretos com lembretes e lições aprendidas de eventos passados (quando li tua sugestão, a primeira coisa que me veio a mente foi Indiana Jones, que tem o hábito de andar com um caderninho de anotações!).

Tudo de bom, até mais.

Meu Nome É Tonho disse...

Ei, jacaré (foi o primeiro bicho com pele de escamas que me veio na cabeça), muito bom o texto. Tem uns lapsos, mas tudo bem porque a sessão realmente foi confusa.

Andar com o diário me lembra meu personagem de In Nomine, que andava com uma lista de pessoas que ele ia matar. A lista incluia coisas como:
"Número 12 - Cara da barraquinha de tapioca"
"Número 117 - Rede Globo"
"Número 314 - Partido Comunista"
"Número 666 - Cara da barraca de tapioca de novo. Dessa vez com mais sangue."

Pele-de-Escama disse...

Saudações cordiais, camaradas.

Lucas, acho que seria importante para um melhor entendimento da campanha se você corrigisse ou detalhasse alguns lapsos e eventos que você julgue necessários no futuro. Conversei ontem com Siddartha, por exemplo, e ele disse não concordar com uma ou outra coisa na minha descrição, então sugeri que ele comentasse como fez Diogo e se possível corrigisse.

Até breve, pessoal.

P.S: Pele-de-Escama, um de meus mais queridos personagens, é um Impuro Theurge dos Roedores de Ossos.

Siddartha Gautamma disse...

caro anaximandrus

preciso te advertir de que às 16h daquele fatídico dia onde quase fomos comidos por um cubo gelatinoso, não era eu que queria voltar pra falar com lorde Bilbo, e sim o meu companheiro Malak

na ocasião a minha maior vontade era a de dar uma chegada lá na prefeitura

excetuando-se esse detalhe continuo elogiando sua incrível perícia em comunicação e expressão...

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